'Oviedistas' se aliam a liberais no Paraguai

'Órfãos' do general Oviedo, morto há 2 meses, pregam voto útil contra colorados e seriam fiel da balança em uma decisão apertada

ROBERTO SIMON , ENVIADO ESPECIAL / ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2013 | 02h04

Personagem central de incontáveis conspirações no Paraguai, o general Lino Oviedo morreu em um acidente de helicóptero em fevereiro, mas a eleição presidencial de amanhã está mostrando que o "oviedismo" continua vivo - e poderoso. Analistas estimam que, se os liberais de Efraín Alegre conseguirem virar o jogo e derrotar os colorados de Horacio Cartes, terá sido em razão do apoio dos eleitores de Oviedo.

Imagens do velho general que fez carreira entre os colorados pontuavam a multidão que participou do último comício da campanha liberal, em Assunção. O partido fundado por Oviedo em 2002, a União Nacional dos Cidadãos Éticos (Unace), anunciou na reta final da campanha seu apoio a Efraín e exortou os oviedistas a usarem o "voto útil" para impedir uma vitória de Cartes.

Cecilia Vera Parín, de 34 anos, colocou a foto de Oviedo na ponta de um mastro, equilibrando-a enquanto dançava entre os novos aliados liberais ao som de cumbia. Questionada sobre a nova lealdade, a funcionária pública, em lágrimas, explicou que "os colorados mataram" o general e "terão de pagar por isso". A acusação criou um burburinho entre as pessoas espremidas ao lado de Cecilia diante do palco, mas todos concordam que a queda do helicóptero "não foi acidental" - autoridades paraguaias concluíram que o mau tempo derrubou a aeronave.

Ontem, o presidente do Paraguai, o liberal Federico Franco, foi pessoalmente inaugurar um estádio, a 130 quilômetros da capital. O nome do complexo esportivo: Lino Oviedo.

Mas os motivos para a aliança entre Unace e Partido Liberal parecem ter ido muito além do cálculo político e da deferência ao general. No início da semana, o presidente do Senado, Jorge Oviedo Matto - sobrinho do militar -, foi obrigado a renunciar depois da revelação de que o Estado, sob governo dos liberais, comprara de sua família uma propriedade no valor de US$ 15 milhões. "Com a morte de Oviedo, seu partido estava se desmanchando. Então, decidiram vender para quem pagasse mais. Foram os liberais", diz uma fonte diplomática.

Luis Ortiz, da Universidade Católica de Assunção, acredita que, embora o apoio a Efraín tenha crescido, Cartes é o favorito. "Se os liberais levarem, será por margem estreita - e o apoio oviedista terá sido decisivo."

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