Oxfam deixa China sob acusação de infiltrar ideias da oposição

ONG não recebeu explicações de Pequim; mensagens contra a entidade foram difundidas em universidades

Efe,

23 de fevereiro de 2010 | 13h49

A ONG Oxfam suspendeu seu programa de estudantes voluntários na China após ser acusada pelo Ministério da Educação desse país de estar "infiltrando-se" em seu território e de ter ideias "oposicionistas".

 

Segundo informou nesta terça-feira, 23, o jornal South China Morning Post, o responsável da Oxfam para Hong Kong e China, Howard Liu Hung-to, assinalou em entrevista coletiva que a ONG suspendeu seus programas de voluntariado nas universidades chinesas e que está tratando de averiguar o porquê da oposição do ministério da Educação.

 

O jornal informou que o Ministério de Educação publicou mensagens em distintas universidades chinesas nos quais acusa a Oxfam de ser uma "ONG que está tentando se infiltrar na China" e acrescentou que "seu responsável é um membro-chave da oposição", sem especificar se fazia referência a uma ou várias pessoas.

 

Estas mensagens apareceram nos sites da Oxfam nas universidades de Minzu, em Pequim, Wuhan (em Hubei) e Zhejiang, embora a mensagem da Universidade de Wuhan que classificava à ONG de "organização ilegal" desapareceu.

 

Segundo Liu, seu grupo não recebeu nenhuma explicação direta do Ministério sobre essas mensagens, e ressaltou que trabalharam com inúmeras organizações de caridade locais em programas de desenvolvimento e alívio da pobreza na China continental. "Nunca recebemos nenhuma crítica direta das autoridades chinesas, mas como estão tão preocupadas sobre o programa de voluntários na China, Oxfam suspenderá de forma temporária", acrescentou.

 

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da China, Qin Gang, afirmou em entrevista coletiva que, embora desconhecesse o caso desta ONG, as organizações humanitárias que operam na China "são bem-vindas para a modernização do país, mas têm que respeitar as leis locais".

 

Oxfam Internacional é uma confederação de 14 organizações humanitárias que trabalham para erradicar a pobreza trabalhando diretamente com as comunidades e exercendo pressão sobre que os tem o poder para assegurar que trabalham na melhoria das condições de vida dos pobres, segundo assinalam em seu site.

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