EFE/Miguel Ángel Molina
EFE/Miguel Ángel Molina

Pablo Casado, o líder inesperado de uma direita espanhola mais conservadora

Advogado de 2018 chegou ao comando do Partido Popular (PP) com um discurso a favor da vida, da família, das vítimas do terrorismo e contra o separatismo catalão; ele precisa superar, no entanto, o momento de baixa da legenda nas pesquisas eleitorais

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2019 | 10h04

MADRI - Pablo Casado define-se como um "liberal conservador" e carece de experiência de governo, mas não de ambição. Inesperadamente, foi eleito líder do Partido Popular (PP) da Espanha em 2018 com um discurso a favor da vida, da família, das vítimas do terrorismo e mostrando firmeza contra o movimento separatista catalão.

Casado tem 38 anos e pertence à nova geração de políticos espanhóis que disputarão as eleições legislativas de domingo, 28, provavelmente as mais concorridas e de resultado mais incerto da história da democracia espanhola após a ditadura do general Francisco Franco (1939-1975).

Apesar de chamar a atenção por sua trajetória ascendente no PP, Casado não era o favorito para suceder o líder conservador anterior, Mariano Rajoy, quando este renunciou após perder o mandato como chefe de governo devido a uma moção de censura apresentada pela oposição no Parlamento.

No entanto, ele conseguiu cumprir seu objetivo com perseverança, alianças e um discurso mais ideológico que o de outros candidatos que pareciam ter mais chances no início.

Com Casado, o partido fez uma profunda renovação de diretores e candidaturas eleitorais e fez uma "guinada à direita", segundo analistas políticos, para recuperar algumas essências e princípios conservadores, que boa parte dos eleitores da legenda consideravam perdidos no período de Rajoy.

Esta será a primeira experiência de Casado como candidato a primeiro-ministro espanhol, com direito a um lema simples e direto: "PP, valor seguro", provavelmente uma mensagem para os muitos eleitores indecisos e outros que deixaram de confiar no partido em pleitos anteriores.

O PP perdeu o poder em 1º de junho de 2018, quando o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, conseguiu emplacar uma moção de censura parlamentar contra Rajoy, que tinha governado com maioria parlamentar entre 2011 e 2015 e em minoria desde 2016.

Advogado, economista e bom comunicador, Casado parece disposto a conseguir que o PP recupere o governo a todo custo, mas a tarefa não será fácil.

Apesar da hiperatividade de seu líder, o PP está em baixa nas pesquisas eleitorais e sofre uma sangria de votos desde 2015, acossado pela corrupção, o desgaste dos duros ajustes econômicos aplicados por Rajoy e o descontentamento pela forma como lidou com o processo independentista ilegal da região autônoma da Catalunha em 2017.

Por um lado, o PP tem que concorrer por um amplo espaço eleitoral com o liberal Ciudadanos e o partido emergente de extrema direita Vox; e por outro, tenta minar os socialistas, com quem protagonizou durante décadas um modelo bipartidário.

Com isso, Casado procurou transmitir mensagens mais conservadoras sobre a unidade da Espanha para conter o ímpeto independentista, e também sobre o aborto e a eutanásia, em defesa da caça e das touradas; além de prometer um Ministério da Família e uma redução generalizada de impostos.

Apesar de o PP ter a maior bancada parlamentar do Congresso espanhol, com 134 dos 350 deputados, agora está na oposição, de onde Casado endureceu o discurso contra Sánchez, atual premiê.

O líder conservador chegou a acusar Sánchez de ser "mentiroso", "criminoso" e "traidor" por - segundo ele - ceder diante do integrantes do independentismo catalão, e também por agradar os simpatizantes políticos da ETA, a já dissolvida organização terrorista basca. / EFE

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