Luis Benavides/AP
Luis Benavides/AP

Pablo Escobar para menores

Álbum vira mania entre as crianças de Medellín

Talita Eredia, O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2012 | 07h43

MEDELLÍN - Quase 20 anos depois de sua morte, o narcotraficante Pablo Escobar voltou a estar presente nas casas colombianas. Além de protagonizar uma série da TV, o famoso líder do cartel de Medellín virou tema de um álbum de figurinhas.

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A publicação é simples, quase artesanal, e circula nas mãos de crianças dos bairros mais pobres de Medellín há algumas semanas. Inspirado na atração da TV Caracol Escobar, el Patrón del Mal, o álbum custa 2 mil pesos (R$ 2,25) e as figurinhas com personagens da série custam 300 pesos (R$ 0,35). A publicação, que mescla imagens do verdadeiro Escobar com as do ator da série, ainda promete prêmios para as crianças, como um aparelho de MP3, relógios e pen drives.

Uma empresa desconhecida de Bogotá, a Producciones Cosmovisión, aparece como responsável pelo álbum. Especialistas descartam que a publicação tenha relação com grupos criminosos e acreditam que o material tenha sido produzido por comerciantes para lucrar com um sucesso da série, ainda que reforce a ilegalidade e a criminalidade.

Max Yuri Gil, diretor da Corporación Región, ONG de direitos humanos de Medellín, disse ao Estado que, apesar de a produção de TV ser feita por filhos de vítimas de Escobar, ela não passa a imagem de um monstro para as crianças - que não conhecem o passado do líder do cartel, morto em dezembro de 1993 -, mas a de um herói contra o sistema. Daí a febre pelo mito do narcotraficante.

"Estão tratando a biografia de Escobar como uma novela e isso, de certa forma, banaliza os seus atos brutais e ressalta sua figura numa sociedade em que os limites éticos ainda são muito fracos. Algumas dessas crianças convivem diariamente com grupos armados e construíram suas referências de triunfo entre a delinquência."

Para Gil, falta vontade dos produtores da série e dos pais para impedir que as crianças vejam a série, transmitida às 21 horas, e colecionem o álbum. "É preciso reforçar que o conteúdo é inadequado para as crianças e os pais precisam tomar consciência de que o programa não é voltado para a faixa etária de seus filhos."

 

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