Pacifista é candidato a líder do Partido Trabalhista

O desmoralizado campo pacifista deIsrael deu as boas-vindas hoje a um potencial novo salvador- um ex-general e popular prefeito que anunciou sua candidaturapara liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições e estáno alto nas pesquisas de popularidade. O candidato Amram Mitzna, de 57 anos, um noviço na políticanacional, derrotaria o líder trabalhista Binyamin Ben-Eliezer, oministro da Defesa que fiscaliza os maiores ataques militarescontra os palestinos, segundo uma sondagem entre integrantes dopartido.Vários dirigentes partidários não perderam tempo em apoiarMitzna, e a ala pacifista do partido, que tem ameaçado abandonaro trabalhismo caso Ben-Eliezer permaneça na presidência,anunciou que continuaria sob Mitzna.A inesperada candidatura de Mitzna tirou da letargia a cenapolítica de Israel devido a um recesso parlamentar.O burburinho aumentou com uma advertência feita hoje peloprimeiro-ministro Ariel Sharon de que convocará eleiçõesantecipadas caso os trabalhistas cumpram a promessa de votar emoutubro contra o orçamento de 2003. Eleições seriam realizadas90 dias após a decisão de Sharon, ou nove meses antes da dataoriginal."Sharon considera convocar eleições para janeiro", foi amanchete de hoje do diário Yediot Ahronot. O jornal Maarivtratou do assunto em duas manchetes: Trabalhismo: Mitzna ganhaapoio. Sharon: eleições possivelmente em janeiro".O campo pacifista de Israel tem sido abafado durante os quasedois anos de confrontos no Oriente Médio, com um eleitoradodesiludido tendendo para a direita e pedindo posições mais durascontra os palestinos. Isso ajudou a catapultar Sharon ao poderno ano passado, e poderia ser difícil para qualquer candidatotrabalhista vencer a eleição, desde que o partido ficou tãointimamente identificado com os fracassados esforços paranegociar uma solução política."No momento, parece que nenhum líder do Trabalhista pode seeleger primeiro-ministro", afirmou a analista política HananCrystal.Mitzna, que serviu por 30 anos nas Forças Armadas antes de seeleger prefeito de Haifa em 1993, deve fazer um anúncio formalde sua candidatura na terça-feira, mas já declarou numaentrevista à televisão no domingo que irá concorrer contraBen-Eliezer.Como primeiro-ministro, adiantou Mitzna, ele retomaria asnegociações de paz com os palestinos sem pré-condições. Se,depois de um dado período, as conversações fracassarem, ele iriaretirar unilateralmente as tropas israelenses e erradicarassentamentos judeus na Cisjordânia a leste da fronteira, disseMitzna a um programa de entrevista no Canal Dois.De barba grisalha, Mitzna, que comandou tropas na Cisjordâniana primeira intifada (levante) palestina no final dos anos 80,escreveu numa coluna de opinião hoje num jornal que apenas forçamilitar não resolve problemas.Na entrevista à TV, ele disse que, como parte de um acordode paz, ele é a favor de entregar toda a Faixa de Gaza e 95% daCisjordânia aos palestinos - uma posição semelhante à ofertafeita pelo então primeiro-ministro Ehud Barak ao líder palestinoYasser Arafat em Camp David no início de 2000. Arafat, na época,rejeitou a oferta, mas ultimamente tem dito que a aceitaria sefosse recolocada.Mitzna explicou que entrou na arena política nacional "porquevejo a sociedade israelense num processo de desintegração, e nãoposso ficar à margem".As posições de Ben-Eliezer sobre um acordo de paz com ospalestinos são quase idênticas às de Mitzna, mas muitostrabalhistas estão descontentes com a continuidade daparticipação do partido na coalizão de centro-direita deSharon.Numa pesquisa realizada este fim de semana, 52% dostrabalhistas disseram preferir Mitzna como líder do partido,enquanto 36% afirmaram que apóiam Ben-Eliezer.

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