Pacifistas israelenses propõem retirada de Gaza e Cisjordânia

O movimento pacifista de Israel saiu às ruas nesta quinta-feira com uma campanha exigindo a retirada unilateral de alguns ou da maioria dos territórios reivindicados pelos palestinos.Parlamentares e ativistas de grupos pacifistas - entre eles o Partido Trabalhista, cujos líderes participam do governo de centro-direita do primeiro-ministro Ariel Sharon - concentraram-se numa movimentada esquina de Tel Aviv para persuadir motoristas de que Israel deveria abandonar a Cisjordânia e Faixa de Gaza, áreas ocupadas na Guerra dos Seis Dias de 1967."Os territórios são ruins para nós! Pense em seus filhos", disse o parlamentar árabe-israelense Husnieh Jabara, oferecendo adesivos com a frase "Fora dos territórios" para um motorista de uns 50 anos. "Vocês são ruins para nós!", retrucou o homem. "Os territórios protegem meus filhos". Outros foram mais receptivos.Um grupo de jovens numa pick-up branca aceitou o adesivo e passou a gritar "Fora dos territórios!" para outros motoristas, enquanto o líder oposicionista pacifista Yossi Sarid observava com satisfação.Os militantes esperam espalhar a campanha para todo o país e planejam realizar uma grande manifestação em Tel Aviv na semana que vem - no mais ambicioso esforço desde que os confrontos israelense-palestinos tiveram início em setembro de 2000.Os pacifistas estiveram de certa forma escondidos desde que os palestinos rejeitaram há cerca de um ano uma proposta do governo anterior de um Estado palestino na maior parte da Faixa de Gaza e Cisjordânia e com participação na administração de Jerusalém. Os palestinos exigiam mais território e um "direito de retorno" a Israel para milhões de refugiados de guerra - uma idéia que é execrada pela grande maioria dos israelenses."Não há esperança de um acordo em breve com os palestinos", escreveu hoje o líder pacifista A.B. Yehoshua no jornal Haaretz. "A única forma de acalmar a situação e criar as bases para um futuro acordo é uma separação unilateral promovida por Israel, com a aceitação tácita dos palestinos".Tsali Reshef, um parlamentar trabalhista e líder do grupo Paz Agora que entregava hoje adesivos, tinha recomendações específicas: sair imediatamente da Faixa de Gaza e desmantelar os assentamentos judeus onde cerca de 7.000 israelenses vivem entre mais de um milhão de palestinos. "Também deveríamos desmantelar imediatamente Ganim e Kadim", acrescentou, referindo-se a dois isolados assentamentos num extremo da Cisjordânia, perto de Jenin. "Nada irá ocorrer, e estaremos enviando uma mensagem correta para os palestinos". Muitos discordam - não apenas o linha-dura Sharon, mas também membros-chave do Partido Trabalhista. "É um derrotismo estúpido", disse o trabalhista Ephraim Sneh o ministro dos Transportes do governo Sharon. "No Oriente Médio, qualquer um que fuja continuará a ser perseguido. Se você sai de lugares difíceis, eles também irão querer Tel Aviv".Ainda assim, pesquisas mostram um forte apoio a uma retirada unilateral apesar do aumento de apoio para a direita - um paradoxo que parece refletir a confusão e insatisfação criada por 16 meses de violência, que já matou 917 pessoas do lado palestino e 260, do israelense.

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