Pacote argentino é coerente, diz Martus Tavares

O pacote anunciado na sexta-feira pelo ministro da Economia, Ricardo López Murphy, é "coerente com o que vinha sendo anunciado e com o que vem sendo feito" na Argentina. Foi o que disse hoje à Agência Estado o ministro do Planejamento, Martus Tavares, que veio participar da reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Santiago. O ministro disse esperar que as medidas acalmem o mercado. Tavares, que deu as declarações depois de um almoço com o presidente do BID, Enrique Iglesias, não quis comentar a crise deflagrada pelo pacote no interior da aliança de governo: "É uma questão interna." Entre os participantes da reunião do BID, há um quase consenso em relação à necessidade do ajuste fiscal na Argentina. As preocupações concentram-se na capacidade do presidente Fernando de la Rúa de arregimentar apoio político. "Creio que o problema na Argentina agora esteja mais no plano político do que no econômico", disse Iglesias. "Não desconheço os custos dolorosos do ajuste, mas também não desconheço os custos muito mais dolorosos do desajuste." Iglesias acrescentou que confia "na capacidade da liderança política argentina de dar uma oportunidade aos programas e superar os atuais desencontros". E assegurou: "Não vai faltar cooperação internacional ao país." Protegidos - "Estamos com uma economia sólida, bastante protegida", disse o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, à pergunta sobre os riscos para o Brasil. "Está havendo uma turbulência, mas não creio que teremos maiores problemas." Paulo Renato esteve de manhã com o presidente do Chile, Ricardo Lagos, e disse que ele se mostrou bastante preocupado. "Eles têm uma economia muito mais aberta do que nós", analisou o ministro, acrescentando que as exportações representam 28% do PIB chileno, enquanto no Brasil são responsáveis por apenas 8%. "Para eles, qualquer oscilação afeta mais", observou. "Já o nosso financiamento externo vem dos investimentos diretos." O presidente da Câmara de Exportadores da Argentina, Enrique Mantilla, estava reticente. "É complicado comentar neste momento, porque há o lado econômico e o lado político", disse ele. "Avaliar o resultado econômico sem saber o que vai acontecer com a política é difícil." "Os argentinos nunca solucionaram o problema do déficit fiscal", recorda o senador Edgardo Böeninger, da Democracia Cristã chilena, secretário-geral da Presidência no governo Patricio Aylwin. "Parece que, por não terem aceitado sacrifício de grau 1, agora terão de fazer sacrifício grau 10." Entre os argentinos, no entanto, não há uma unanimidade quanto ao acerto da política econômica. "É insistir numa política de ajuste, cujo esforço se concentra no equilíbrio fiscal, que vai gerar mais crise e mais recessão", opina Francisco Yofre, da Comissão do Mercosul para Micro, Pequenas e Médias Empresas. "Além disso há uma contradição de fundo na Aliança (de governo), que não vai permitir que López Murphy leve o ajuste adiante."

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