Pacto abre caminho para mudança histórica, diz Obama

WASHINGTON - Se produzir uma solução definitiva para conter o programa nuclear iraniano, o acordo assinado domingo em Genebra abrirá o caminho para a superação da desconfiança que marca a relação dos EUA com a república islâmica "há muitos e muitos anos", afirmou na segunda-feira, 25, o presidente Barack Obama, reconhecendo que a tarefa "não será fácil".

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington,

25 de novembro de 2013 | 23h13

O pacto assinado por Teerã e seis potências mundiais foi recebido com extremo ceticismo não só por Israel e congressistas republicanos, mas também por alguns democratas. Analistas nos EUA dividem-se entre os que o viram como uma vitória do Irã e suas aspirações nucleares e os que o saudaram como um passo necessário para um desfecho pacífico das divergências em torno do programa atômico.

Obama defendeu ontem a negociação e a apresentou como resultado de sua visão para uma "nova era de liderança americana no mundo - uma que vire a página de uma década de guerra e comece uma nova era de compromisso com o mundo".

Em um evento sobre a reforma da Lei de Imigração, em San Francisco, o presidente justificou a necessidade do diálogo citando o ex-presidente John F. Kennedy: "Que nunca negociemos com medo, mas que nunca tenhamos medo de negociar".

Segundo Obama, o eventual acordo de longo prazo com o Irã seria a coroação de uma estratégia que levou ao fim da guerra no Iraque, à morte de Osama bin Laden e ao planejado encerramento da guerra do Afeganistão no próximo ano. Mas, para isso, ele terá de arrancar concessões muito mais significativas de Teerã nos próximos meses e convencer o Congresso a não impor sanções adicionais à república islâmica enquanto as negociações estiverem em andamento.

"Nada disso será fácil. Enormes desafios permanecem", afirmou Obama. "Mas não podemos fechar a porta para a diplomacia. E nós não podemos desistir de soluções pacíficas para os problemas do mundo. Nós não podemos nos comprometer com um ciclo interminável de conflitos."

Mais conteúdo sobre:
EUAIrãacordo nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.