Pacto EUA-Paquistão autorizou assassinato, diz jornal

Segundo ''The Guardian'', Bush e Musharraf selaram acordo dando aval a ação unilateral dos EUA contra Bin Laden

, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2011 | 00h00

ISLAMABAD

Logo após os ataques do 11 de Setembro, EUA e Paquistão selaram um pacto que autorizaria Washington a lançar uma operação em território paquistanês contra Osama bin Laden, caso o líder da Al-Qaeda fosse localizado no país do Sul da Ásia. O entendimento secreto teria sido feito pessoalmente entre os presidentes George W. Bush e Pervez Musharraf, segundo uma reportagem publicada ontem no jornal The Guardian.

A informação teria sido repassada ao diário britânico por autoridades tanto do governo Bush quanto da ditadura de Musharraf, que hoje vive em Londres. As fontes do jornal pediram anonimato e nenhum dos dois lados se pronunciou sobre o conteúdo da reportagem.

Bin Laden foi assassinado na semana passada em circunstâncias similares às previstas no suposto acordo secreto.

Segundo o combinado entre os aliados, Washington teria o aval para lançar uma operação unilateral e, em seguida, Islamabad "vociferaria" em protesto contra a violação de sua soberania. Ontem, o primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, ameaçou responder com "toda força" uma futura incursão unilateral dos EUA e o nome do chefe do escritório da CIA em Islamabad foi divulgado na imprensa paquistanesa.

Soberania violada. O entendimento valeria ainda para outros líderes da Al-Qaeda - como Ayman al-Zawahiri, vice de Bin Laden - e foi acertado pouco após o terrorista saudita ter escapado do radar dos americanos, embrenhando-se nas montanhas de Tora Bora, no Afeganistão.

Na capital britânica, onde lidera um partido de oposição ao governo de Islamabad, Musharraf foi uma das primeiras autoridades a denunciar a violação da soberania de seu país na operação que matou Bin Laden.

Uma "fonte paquistanesa de alto escalão" teria afirmado ao Guardian que o acordo foi renovado no período de transição do Paquistão rumo à democracia, em 2008. À época, o general Musharraf continuou por seis meses enquanto eram organizadas eleições para formar um novo governo, desta vez civil.

A autoridade citada em anonimato pela matéria afirmou que os protestos são, na verdade, a "face pública" do acordo. "Nós sabíamos que eles negariam tudo", disse a fonte.

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