FETHI BELAID / AFP
FETHI BELAID / AFP

Pacto Global pela Imigração é lançado pela ONU com apoio de 160 países, mas sem a presença dos EUA

Premiê alemã, Angela Merkel, fez discurso a favor do acordo e foi ovacionada pelos presentes no evento, que aconteceu no Marrocos

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2018 | 10h42

MARRAKESH - Representantes de 160 países e funcionários do alto escalão da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniram nesta segunda-feira, 10, no Marrocos para adotar o Pacto Global pela Imigração. O evento teve a presença do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e da chanceler alemã, Angela Merkel, que foi ovacionada após fazer discurso favorável à imigração.

Sem a presença dos Estados Unidos, que não participaram da cerimônia porque abandonaram as negociações do acordo em dezembro de 2017, as nações pelo mundo concordaram que é preciso prover migração segura para pessoas que saíram de seus países por problemas de guerra, por necessidades econômicas ou por mudanças climáticas.

Guterres chamou o acordo de “um caminho para prevenir sofrimento e caos” e que foi feito para beneficiar a todos. Ele disse que, desde 2000, em torno de 60 mil pessoas morreram ao tentar imigrar, o que caracterizou como “uma fonte de vergonha coletiva”. O secretário-geral da ONU também disse que a organização não fará imposição de políticas migratórias a seus países-membros e que é um acordo não obrigatório.

Merkel foi ovacionada por diversos minutos pelo seu discurso em defesa do pacto. “(A União Europeia) vai necessitar de um maior número de mão de obra qualificada de fora” do território europeu, disse, defendendo o acordo da ONU porque se compromete “a proteger as fronteiras, a emitir documentos necessários para as pessoas e a ajudar a readmissão dos imigrantes que assim o queiram”.

A chanceler alemã reconheceu que há um importante fluxo de imigrantes ilegais, dizendo que “não devem ser as máfias que decidam como as pessoas cruzam as fronteiras”. De forma pouco casual, ela fez alusão ao passado nazista da Alemanha, “que causou grande sofrimento”, e lembrou que desde então tem respondido com o nacionalismo exacerbado com multilateralismo, definido como “respostas comuns a problemas globais.”

Oposição

O Pacto Global pela Imigração teve oposição de políticos que querem reforçar as fronteiras nacionais e dizem que o acordo pode ameaçar a soberania nacional ao aumentar o fluxo de imigrantes.

Na noite de domingo 9, o Chile afirmou que não iria ao evento. “Nós já havíamos dito que imigração não é um direito humano. Os países têm o direito de determinar a entrada para cidadãos estrangeiros”, justificou o governo de Sebastián Piñera.

A Áustria, que também é presidente da União Europeia, disse que o acordo borra a linha entre imigração legal e ilegal. A Austrália afirmou em novembro que não iria ao evento por achar que o pacto compromete a sua política imigratória e põe em perigo a segurança nacional.

Os EUA, sob o governo de Donald Trump, retiraram-se das discussões em dezembro de 2017 por considerar que o assunto deve ser decidido por Washington. A administração de Barack Obama (2009-2017) havia se unido às negociações para definir o documento. / AP, EFE e REUTERS

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