Padilla é condenado por terrorismo

Cidadão americano de origem porto-riquenha era acusado de apoiar organizações extremistas dentro dos EUA

Miami, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

Jose Padilla, homem que se tornou símbolo do terrorismo feito pelos próprios americanos, foi considerado culpado de integrar uma célula de apoio a grupos extremistas nos EUA. O veredicto foi dado ontem, em um tribunal de Miami, após dois dias de deliberações e um julgamento de três meses. Cidadão americano de origem porto-riquenha, Padilla, de 36 anos, foi condenado também por planejar o seqüestro, a mutilação e o assassinato de pessoas no exterior. A sentença será anunciada no dia 5 de dezembro. Com ele foram condenados também outros dois acusados pelos mesmos delitos, o libanês Adham Amin Hassoun e o jordaniano naturalizado americano Kifah Wael Jayyousi. A condenação por conspiração pode render aos três a prisão perpétua. A sentença por apoiar e fornecer dinheiro a grupos extremistas pode chegar a 15 anos de prisão. Contudo, quando foi preso, em maio de 2002, no aeroporto de Chicago, as acusações que pesavam sobre ele eram mais graves. Padilla foi apresentado pelo governo americano como sendo um superterrorista - ele era suspeito de tentar explodir uma "bomba suja" radioativa em uma cidade dos EUA. Primeiro, esteve sob custódia do Departamento de Justiça como "testemunha material", mas em junho de 2002 foi fichado como "combatente inimigo" por ordem executiva do presidente George W. Bush e levado para uma base militar na Carolina do Sul, onde permaneceu incomunicável por três anos e sete meses, sem acesso a seus advogados e sem que fossem apresentadas acusações formais contra ele. Durante todo esse tempo, seus advogados tentaram levar o caso a uma corte federal, o que conseguiram apenas em 2005.RECRUTAMENTONos anos 90, Padilla vivia na Flórida e havia se convertido ao islamismo. Ex-membro de uma gangue de rua, após a conversão passou a ser conhecido também como Abdullah al-Muhajir. Foi quando conheceu Hassoun, o outro acusado, em uma mesquita. Padilla teria sido recrutado por ele para se tornar um terrorista internacional. A principal prova da acusação foi um formulário preenchido por ele, em 2000, para participar de um campo de treinamento da Al-Qaeda, no Afeganistão. O formulário, encontrado por agentes da CIA em 2001, no Afeganistão, continha as impressões digitais de Padilla e outras identificações pessoais, como sua data de nascimento e descrevia sua facilidade para falar espanhol, inglês e árabe.Os advogados de defesa afirmaram que o caso foi motivado politicamente pela guerra antiterror do governo dos EUA. Eles disseram que Padilla viajou ao Egito, em 1998, para estudar o Islã e aperfeiçoar a língua árabe. De acordo com a defesa, sua intenção era prestar assistência humanitária a muçulmanos perseguidos nas zonas de guerra. A Casa Branca disse que ficou "satisfeita" com o veredicto. "Padilla ofereceu seus serviços à Al-Qaeda para aprender a matar, seqüestrar e mutilar", disse o subsecretário de Justiça, Brian Frazier. "Elogiamos os jurados pelo trabalho e agradecemos a todos por defenderem o princípio fundamental de Justiça imparcial", afirmou Gordon Johndroe, porta-voz do governo.AP E REUTERS

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