Padre argentino acusado de abuso sexual se entrega

Um padre católico argentino acusado de abuso de menores se entregou nesta quinta-feira ao tribunal que havia pedido sua captura. Julio Grassi, de 46 anos, acompanhado de seu advogado, compareceu nesta manhã perante o juiz Alfredo Meade, no município de Morón, a 20 km a oeste de Buenos Aires, que havia pedido sua detenção. Com a fisionomia transtornada, o sacerdote declarou aos jornalistas: "Sou inocente". O padre é famoso por suas obras de caridade, através da Fundação Don Bosco - Felizes as Crianças, que administra 20 orfanatos e 15 externatos em várias regiões da Argentina, que acolhem 6.300 menores abandonados. A ordem de detenção foi emitida na quarta-feira pelo juiz Meade. A Fundação é depositária de milhares de doações públicas e privadas, algumas organizadas por programas de televisão. A notícia da prisão, que causou comoção no país, ocorre no mesmo dia em que um programa de televisão divulgou uma investigação sobre as relações do padre Grassi com os meninos das creches pertencentes à fundação. "De acordo com o relato da vítima, os fatos ocorreram há cerca de quatro anos, dentro da fundação", disse a um canal de televisão o promotor Federico Nieva Woodgate. "Até agora só havíamos encontrado gente que dizia saber que havia acontecido a outras pessoas... até que nesta última semana apareceu quem disse ?a vítima sou eu?. Diante do fato concreto, foi pedida a detenção", acrescentou. Este é o segundo escândalo de abuso sexual que sacode a Igreja Católica argentina nas últimas semanas. Em 26 de setembro, o arcebispo de Santa Fe, monsenhor Edgardo Storni, renunciou a sua posição na cúpula eclesiástica após ser acusado de abusar de seminaristas e jovens sacerdotes.

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