REUTERS/Steve Bonet
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Polícia mata dois homens armados que faziam reféns em igreja na Normandia; EI assume autoria da ação

Padre que era mantido refém foi morto pelos agressores; Vaticano condenou o ataque e qualificou o episódio de 'assassinato bárbaro'

Redação, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2016 | 07h14

PARIS - O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do ataque a uma igreja católica de Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia, nesta terça-feira, 26, segundo informações do SITE Intelligence, que observa a ação de radicalizados na internet. Os extremistas teriam informado por meio de um comunicado emitido por sua agência de notícias, Amaq, que dois "soldados" do EI lideraram o atentado. "Eles realizaram a operação em resposta ao pedido para alvejar os países da coalizão", disse o grupo em referência às nações que combatem os jihadistas no Iraque e na Síria.

O presidente da França, François Hollande, foi até Saint-Etienne-du-Rouvray e afirmou no começo da manhã acreditar que o EI estaria por trás do ataque. Dois homens usando armas brancas entraram na igreja nesta terça-feira, fizeram diversos reféns e mataram um deles, um padre. 

Segundo Hollande, os dois agressores - que foram mortos pela polícia - haviam declarado lealdade ao EI. Além do padre, entre os reféns estavam duas freiras e dois fiéis, de acordo com a emissora BFM TV.

A ação dos criminosos ocorreu entre 9h e 9h30 (4h e 4h30 em Brasília). A seção antiterrorista da promotoria de Paris assumiu a investigação do ataque. O Ministério Público determinou que a Subdireção Antiterrorista (SDAT) e a direção-geral da Segurança Interior (DGSI) assumam as investigações do caso, afirmou a Promotoria em comunicado.

Imagens de televisão mostraram que a polícia bloqueou rodovias de acesso à igreja e paramédicos foram vistos puxando macas de ambulâncias. Um porta-voz do Ministério do Interior afirmou à BFM TV que um ferido está "entre a vida e a morte".

Hollande deve se reunir com o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, informou o porta-voz Pierre-Henry Brandet. O estado de emergência contunia em vigor no país, lembrou Hollande. 

Igreja. O Vaticano condenou o “assassinato bárbaro” do padre e disse que o papa Francisco está horrorizado com a notícia. “Estamos particularmente chocados em razão dessa violência horrível que aconteceu em uma igreja, na qual o amor de Deus é anunciado”, disse o porta-voz da Santa Sé, Federido Lombardi.

Ele disse que o pontífice está sentindo “a dor e o horror dessa violência absurda” e “condena da forma mais radical qualquer forma de ódio”.

O ato é o mais recente em uma série de atentados na Europa. Na França, o ataque acontece 12 dias após um tunisiano matar 84 pessoas com um caminhão em Nice, em uma ação cuja autoria tambémn foi reivindicada pelo grupo jihadista Estado Islâmico.

O Congresso Judaico Latino-Americano emitiu um comunicado condenando o ataque. "Externamos nosso mais profundo repúdio ao que vem acontecendo em países como a França, vítima, em pouco tempo, de dois atentados, sem falar nos outros que a atingiram, atacando a liberdade de expressão e de ir e vir", afirmou, em comunicado, o presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, Jack Terpins. 

"Esse ocorrido hoje demonstra que nenhum lugar mais no mundo está seguro, seja casa noturna, estádios, até lugares santos estão sujeitos a uma crença que distorce os princípios com que foi originada e aqueles que a perpetram são vistos como heróis, ao invés de algozes."/ REUTERS e EFE

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