TIAGO QUEIROZ / ESTADAO
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Pai compra droga para filho adolescente

Daniel diz que ele, a mulher e os filhos consomem a maconha juntos

Murillo Ferrari, Enviado Especial / Montevidéu, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2017 | 23h53

Dados divulgados pelo Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (Ircca) poucos dias antes do início da venda de maconha nas farmácias do Uruguai indicavam que a maioria dos que se registraram para comprar maconha legalmente tem entre 30 e 44 anos e a grande parte dos cadastrados é de homens (70%).

Realmente, os homens eram maioria nas filas para comprar a erva que agora será vendida pelo governo. No entanto, nas quatro farmácias autorizadas a realizar a venda que o Estado visitou em Montevidéu havia muitos jovens na faixa dos 20 anos – a idade mínima para se registrar para comprar a droga é de 18 anos –, mas também muitas pessoas com 60 anos ou mais.

“Eu tenho quase 60 anos e não tomo nenhum tipo de remédio, não tenho depressão e nenhum outro problema de saúde”, afirmou a aposentada Beatriz Nattero, que ao lado do marido Daniel, era uma das mais empolgadas na fila para comprar os primeiros pacotes de maconha legalizada vendida pelo governo.

Ela fez questão de ressaltar em mais de uma ocasião que, apesar da sua idade, só precisava fazer uso constante de maconha. “Somos usuários há mais de 20 anos e mesmo para mim, que comecei velha, aos 40 anos, este é um momento único, é algo histórico”, completou.

Daniel disse que a relação do casal com a maconha sempre fluiu de forma “muito natural” e revelou que seus filhos não só cresceram no mesmo ambiente em que os pais consumiam a droga, como também se tornaram usuários da erva. Na embalagem da droga vendida pelo Estado uruguaio, assim como em outras campanhas de conscientização desenvolvidas nos últimos anos, o Uruguai desaconselha o consumo de maconha por pais na presença de menores de idade.

“Nosso filho mais novo tem quase 18 anos, vai fazer aniversário dentro de três meses, e então também poderá se registrar para comprar nas farmácias”, disse. “Vamos compartilhar agora e depois”, acrescentou Daniel.

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