Pai de acusados de atentado adia viagem para os EUA

Anzor Tsarnaev alega razões de saúde; ele pretendia enterrar o filho mais velho e ver o caçula, que está preso

BOSTON, EUA, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2013 | 02h02

Anzor Tsarnaev, pai dos dois homens suspeitos de realizarem o atentado em Boston, disse ontem que adiou a viagem para os Estados Unidos por problemas de saúde. Na semana passada, ele anunciou que iria ao país para enterrar seu filho mais velho, Tamerlan, morto em confronto com a polícia, e visitar o mais novo, Dzhokhar, que está preso.

Anzor Tsarnaev disse que está "muito doente" e sua pressão arterial subiu. De acordo com a agência Ria Novosti, ele saiu na sexta-feira de Makhatchkala, capital da república russa do Daguestão, em direção a Moscou, para viajar para os EUA, mas precisou ser hospitalizado no meio do caminho, após um repentino aumento da pressão arterial.

Tsarnaev afirmou que está hospedado na Chechênia, no sul da Rússia, mas não deu detalhes sobre a hospitalização. "Estou no hospital, mas não em Moscou", declarou Anzor, se negando a indicar em que cidade se encontrava. "Em razão de meu estado de saúde, decidi adiar, por hora, minha viagem aos EUA."

Os dois irmãos, Tamerlan e Dzhokhar, são acusados de plantar e detonar duas bombas em panelas de pressão perto da linha de chegada da Maratona de Boston, dia 15, matando três pessoas e ferindo 264.

Tamerlan, de 26 anos, foi morto em um tiroteio com a polícia quatro dias depois do atentado. Dzhokhar, de 19 anos, foi ferido e capturado após uma caçada policial. Ele sofreu um tiro na cabeça e outro no pescoço. Seu estado era tão grave que ele só conseguia se comunicar por gestos e por escrito.

Na semana passada, no entanto, Dzhokhar melhorou e, na sexta-feira, deixou o hospital em que estava internado e foi levado para a prisão de Fort Devens, no Estado de Massachusetts.

Gravações. Os serviços secretos russos gravaram, em 2011, uma conversa telefônica entre os irmãos e a mãe, Zubeidat Tsarnaeva. Na conversa, ela teria falado com um dos filhos, "em termos vagos", sobre a jihad (guerra santa).

Integrantes dos serviços de inteligência dos EUA, que pediram anonimato, revelaram ter recebido de colegas russos as gravações há alguns dias. Eles lamentaram que o FBI não tivesse obtido essa informação antes, o que levaria a agência a prestar mais atenção aos irmãos Tsarnaev.

Com base nessas gravações, o deputado republicano Michael McCaul disse acreditar que Tamerlan e Dzhokhar receberam treinamento militar e Zubeidat teve "um papel muito forte" no processo de radicalização dos filhos. / REUTERS e AP

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