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Pai de adolescente morto pede a Maduro fim da repressão

Bala que matou meu filho não era de borracha, era de chumbo, diz Erick Roa; testemunhas dizem que policial disparou à queima-roupa

O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2015 | 10h05



CARACAS -  Erick Roa, o pai do menino de 14 anos morto na terça-feira, 24, pela Polícia Nacional Bolivariana em um protesto em San Cristóbal, no oeste da Venezuela, pediu ao presidente Nicolás Maduro que "pare de atirar contra o povo venezuelano". 

"A bala que matou meu filho não era de borracha, era de chumbo. Peço à polícia venezuelana que saiba contra quem está atirando", disse Roa à CNN em espanhol. "Peço a Maduro que pare de atirar contra o povo venezuelano."

O pai de Kluiverth Roa, que teve de reconhecer o corpo do filho no Hospital Central de San Cristóbal disse também que espera que a justiça seja feita no caso. "Espero que as autoridades prendam o culpado e ele receba a pena máxima", acrescentou.

Na noite de ontem, a Procuradoria-Geral da Venezuela anunciou a prisão do policial Javier Mora, suspeito de ter disparado o tiro que matou Kluiverth. 

Há duas versões para o crime. Manifestantes que presenciaram o disparo dizem que o adolescente e outros alunos de uma escola de primeiro grau se juntaram a um protesto de universitários da Universidade Católica de Táchira contra a escassez de alimentos e remédios e tentaram ajudar estudantes feridos com disparos de balas de borracha. 

Nesse momento, segundo os manifestantes, oficiais da PNB que estavam de moto deixaram o cordão que protegia a residência do governador de Táchira, o chavista José Vielma Mora, e se dirigiram às ruas onde ocorria o protesto. A multidão se dispersou e os estudantes tentaram se proteger em algumas casas. 

Num áudio divulgado pelo jornal El Nacional, crítico ao chavismo, uma testemunha diz que Kluiverth teria se escondido debaixo de um carro. Ele teria sido encontrado por um policial, que teria disparado contra ele à queima-roupa. Um vídeo que circula nas redes sociais  mostra o agente correndo depois de o menino cair no chão. 

A versão oficial, dada pelo coronel da polícia de Táchira, Ramón Cabezas, diz que um grupo de manifestantes tentou roubar as motos de policiais da PNB. Um deles teria disparado contra o chão e a bala acabou atingindo Kluiverth. 

Em janeiro, o governo de Maduro publicou uma resolução na qual autoriza o uso de munição e armas de fogos em protestos. A decisão foi criticada por entidades de defesas de direitos humanos. / EFE

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