Pai de garota baleada pelo Taleban visita filha

Ziauddin Yousufzai diz que é um 'milagre' a sobrevivência de Malala, baleada por defender o direito de educação de meninas no Paquistão

BIRMINGHAM, GRÃ-BRETANHA, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2012 | 03h08

O pai de Malala Yousufzai, a adolescente paquistanesa de 15 anos que foi baleada na cabeça pelo Taleban por enfrentar o grupo fundamentalista islâmico e defender a educação de meninas no Paquistão, qualificou ontem o fato de sua filha ter sobrevivido ao ataque de "um milagre" e afirmou que ela "vai se levantar de novo".

Ziauddin Yousufzai visitou a jovem pela primeira vez desde que ela foi levada para um hospital de Birmingham, na Grã-Bretanha, para receber tratamento médico. "Eles queriam matá-la, mas eu diria que ela caiu temporariamente. Ela vai ressurgir, vai se levantar de novo", disse.

O pai de Malala afirmou que a indignação mundial provocada pela tentativa de assassinato de sua filha representou uma "reviravolta" em sua nação. "Quando ela caiu, o Paquistão se levantou."

Manifestações em apoio à adolescente e contra a violência do Taleban ocorreram dentro e fora do país. "No Paquistão, pela primeira vez, todos os partidos políticos, o governo, as crianças, os idosos estavam chorando e rezando."

Ziauddin e outros parentes da adolescente - baleada no dia 9, em sua cidade, Mingora, no Vale do Swat - chegaram a Birmingham na quinta-feira para visitá-la. Outras duas meninas que estavam no ônibus escolar onde Malala estava no momento do atentado ficaram feridas, uma delas gravemente.

"Ontem à noite (quinta-feira), nós a encontramos com lágrimas de alegria em nossos olhos. Todos nós choramos um pouco", disse o pai.

Seis dias depois do atentado, a ativista foi levada para o hospital Queen Elizabeth, de Birmingham, na Grã-Bretanha. Os médicos afirmam que sua recuperação é lenta, mas constante. "Ela recebeu o tratamento certo, no lugar certo, no momento certo. Um agressor que pode ser chamado de um agente de satã a atacou, mas encontrei anjos ao meu lado, neste momento, neste local." Segundo o hospital, Malala não apresenta mais sinais de infecção. / NYT e REUTERS

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