EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Pai de jovem morto em protesto na Venezuela foi chefe de Maduro

Nicolás, você me conhece. Eu fui seu chefe. Você sabe que claramente houve um ataque contra o meu filho, que você conheceu quando ele era uma criança e trabalhávamos na Estação Praça Venezuela, diz David Vallenilla

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2017 | 17h03

CARACAS - O último manifestante morto pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB) nos protestos contra o governo chavista tem uma conexão única com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O pai de David José Vallenilla, que tem o mesmo nome do filho, foi chefe do líder bolivariano quando ele era motorista do sistema de transporte público de Caracas. 

"Nicolás, você me conhece. Eu fui seu chefe. Você sabe que claramente houve um ataque contra o meu filho, que você conheceu quando ele era uma criança e trabalhávamos na (estação) Praça Venezuela", disse David Vallenilla aos prantos a jornalistas no Instituto Médico Legal de Bello Monte. "Ele era um estudante, não era bandido. Por favor, Nicolás, não quero dizer que é assim que a Justiça acontece nesse país. Isso não pode ficar assim."

David Vallenilla foi o 75ª vítima da violência relacionada aos protestos na Venezuela. Ele foi baleado à queima-roupa por um oficial da Guarda Nacional Bolivariana num protesto na quinta-feira quando se aproximou de uma base aérea em Caracas. Sua morte provocou indignação de opositores ao chavismo, que voltaram às ruas ontem para condenar o episódio.

Foi a segunda morte de responsabilidade das forças de segurança a ser registrada em vídeo e fotos. Na segunda-feira, o adolescente Fabian Urbina, de 17 anos, foi executado por policiais em um protesto. 

O pai de David descreveu Maduro como um motorista comprometido com o trabalho à época em que trabalhavam juntos. Segundo ele, o presidente não falava de suas posições políticas, apesar de ser líder sindical. 

Vallenilla disse que o filho já tinha torcido o pé ao fugir da repressão em um ato contra o governo e ele lhe pedia para que não participasse dos protestos porque era perigoso. O manifestante estava prestes a se formar em enfermagem e trabalhava como estagiário em uma clínica particular. 

O governo declarou que armas não autorizadas foram usadas na repressão e os responsáveis seriam punidos. /AFP e AP

 

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