Pai de jovem morto em Tiananmen se suicida

O pai de um jovem morto na repressão às manifestações pró-democracia na Praça Tiananmen cometeu suicídio poucos dias antes do aniversário de 23 anos do massacre, depois de tentativas frustradas de obter uma explicação oficial sobre os fatos. "Foi o governo chinês que o empurrou para esse caminho", disse ao Estado Ding Zilin, presidente do grupo Mães de Tiananmen, que reúne parentes das vítimas da repressão de 1989.

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2012 | 03h08

Segundo a organização, Ya Weili, de 73 anos, enforcou-se na semana passada em um estacionamento subterrâneo em construção perto de sua casa em Pequim. Ainda de acordo com o grupo, Ya escreveu uma nota antes do suicídio, na qual relembrava a morte do filho e dizia que morreria em protesto por não ter tido resposta aos pedidos de investigação apresentados ao governo. Ding afirmou que a carta foi confiscada pela polícia.

O filho de Ya, Ya Aiguo, tinha 22 anos quando morreu com um tiro na cabeça, disparado pelas tropas que ocuparam a capital chinesa na noite de 3 de junho de 1989 para pôr fim ao movimento pró-democracia, iniciado quase dois meses antes. A repressão continuou na madrugada do dia 4 e só acabou depois que a praça foi desocupada.

O governo nunca divulgou um número oficial de vítimas, mas entidades de defesa dos direitos humanos estimam que cerca de 1 mil pessoas morreram, a maioria delas jovens. "Ya estava engajado em nossas atividades desde a década de 90. Todos os anos ele nos perguntava como as coisas estavam evoluindo e ficava desapontado a cada vez", lembrou Ding.

O obituário divulgado pelas Mães de Tiananmen disse que Ya e sua mulher, Zhang Zhenxia, foram ameaçados e vigiados pela polícia em várias ocasiões ao longo dos últimos anos. "O governo tem de nos dar uma explicação justa e razoável para os eventos de 4 de junho", ressaltou o texto. Quase 23 anos depois do massacre, ainda há pessoas presas por terem participado dos protestos, que reuniram milhares de pessoas em Pequim por quase dois meses.

No mês passado, Li Yujun foi libertado após cumprir 23 anos de prisão por ter incendiado um caminhão de combustível para impedir o avanço do Exército rumo ao centro de Pequim.

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