Pai de menino sírio que morreu afogado pilotava barco, dizem passageiros

Pai de menino sírio que morreu afogado pilotava barco, dizem passageiros

Sobreviventes do naufrágio afirmam à agência 'Reuters' que pai de Aylan trabalhava junto aos traficantes de pessoas e pilotava o precário barco que afundou

O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2015 | 19h31

BAGDÁ - O pai de Aylan Kurdi, a criança síria encontrada afogada na costa da Turquia, trabalhava junto aos traficantes de pessoas e pilotava o precário barco que afundou tentando alcançar a Grécia, disseram outros passageiros da embarcação em relatos que contestam as declarações dadas por ele na semana passada.

Ahmed Hadi Jawwad e sua mulher, iraquianos que disseram ter perdido a filha de 11 anos e o filho de 9 na travessia, disseram à agência Reuters que Abdullah Kurdi entrou em pânico e acelerou quando uma onda atingiu a embarcação, levantando suspeitas sobre as declarações dadas por ele de que outra pessoa pilotava o barco.

Um terceiro passageiro confirmou a nova versão dos acontecimentos, que a Reuters não pôde verificar independentemente. "A história que ele (pai de Aylan) contou não é verdadeira. Não sei o que levou ele a mentir, talvez medo", disse Jawwad na casa de seus sogros, em Bagdá, nesta sexta-feira. "Ele era o piloto desde logo no início até o barco afundar."

Ele contou que Kurdi nadou até eles e implorou que confirmassem sua versão sobre o incidente. Sua mulher confirmou os detalhes.

Jawwad afirmou que seu contato com os traficantes se chamava Abu Hussein. "Abu Hussein me disse que ele (Kurdi) era o responsável por organizar a viagem", disse ele. A Reuters tentou diversas vezes falar com Kurdi por telefone a partir da cidade síria de Kobani, mas não conseguiu contatá-lo. Abu Hussein também não pôde ser localizado. No entanto, Kurdi disse ao portal britânico MailOnline que as acusações contra ele são falsas. 

A imagem do menino Aylan morto em uma praia na Turquia chocou o mundo. Além de Aylan, morreram seu irmão de 5 anos e a mãe. O pai sobreviveu e voltou para a Síria para enterrá-los na cidade natal. / REUTERS

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