T. MUGHAL/EFE
T. MUGHAL/EFE

'Pai do Talibã', Mulá Sami ul-Haq é morto no Paquistão

Clérigo muçulmano era visto como possível intermediário em negociações entre governo afegão e talibãs

O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2018 | 21h21

PESHAWAR - O clérigo muçulmano Sami ul-Haq, conhecido como o “pai do Talibã” por ter ensinado alguns dos líderes do movimento islâmico, foi encontrado morto nesta sexta-feira,2, no Paquistão

De acordo com informações do vice imediato de ul-Haq, Yousaf Shahe, agressores desconhecidos mataram o clérigo, que dirigia um seminário islâmico no noroeste do Paquistão e era visto como um possível intermediário em negociações entre o governo afegão e o Talibã. 

Ainda não há maiores informações sobre como teria sido o assassinato, tampouco as razões pelas quais o segurança e o motorista do clérigo não estarem com ele no momento do ataque. A família afirma que ele foi encontrado com feridas causadas por tiros e facada dentro de uma propriedade sua no subúrbio de  Islamabad.

“Quando os agressores adentraram na casa [...] eles começaram a agredir o mulá Sami ul-Haq com facas e adagas e depois o balearam até a morte”, disse um sobrinho de ul-Haq. 

O clérigo passou décadas à frente do seminário Darul Uloom Haqqania, no Paquistão, perto da fronteira com o Afeganistão. Um de seus estudantes na década de 1980, conhecido posteriormente como Mulá Mohammad Omar, se juntou a grupos de guerrilheiros mujahideen para combater a ocupação soviética em seu país, assim como outros alunos de Haq.  

Mulá Omar seguiu adiante para fundar o Talibã, que tomou o poder no Afeganistão em 1996 após anos de caos e guerra civil seguintes à retirada militar dos soviéticos. O porta-voz do Talibã afegão, Zabiullah Mujahid, disse que “o povo do Afeganistão nunca esquecerá os serviços de Haq” e que seus assassinos seriam “inimigos do Islã”. 

O Ministério do Interior do Paquistão confirmou a morte de Haq em comunicado na noite de sexta-feira e expressou suas condolências. Um porta-voz das Forças Armadas condenou o “assassinato” e expressou “luto e condolências” à família. 

Centenas de manifestantes foram às ruas nas proximidades da cidade de Mardan, perto do seminário de Haq no noroeste do país, incendiando uma estação de pedágios. / REUTERS

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