Pai visita, na Grã-Bretanha, menina atacada por Talibã, mas quer levá-la de volta

Antes de deixar Paquistão, pai de Malala nega que intenção da família seja pedir asilo na Europa.

BBC Brasil, BBC

26 de outubro de 2012 | 08h42

Parentes da adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, baleada na cabeça pelo Talibã por fazer críticas ao movimento insurgente em seu blog, visitaram ontem a menina no hospital em que ela está internada em Birmingham, na Grã-Bretanha.

A visita ocorreu um dia após o pai de Malala, Ziauddin Yousufzai, ter prometido levá-la de volta ao Paquistão. Ziauddin também negou, em entrevista à imprensa de seu país, que a família tenha intenção de pedir asilo à Grã-Bretanha.

"A primeira vez (que me perguntaram sobre a possibilidade de solicitar asilo), eu ri, porque todos os nossos sacrifícios - o meu (sacrifício) pessoal e o ataque à minha filha - não podem ter sido em vão. Não podem ser uma desculpa barata para mudarmos para um outro país e vivermos o resto de nossa vida lá", ele disse, em Urdu.

As declarações foram feitas ao lado do ministro do Interior, Rehman Malik, em Islamabad. Segundo a agência de notícias Associated Press, Malik teria prometido que o governo protegerá Malala e sua família quando eles voltarem.

Ziauddin estaria entre o grupo de parentes que chegaram à Grã-Bretanha para ver Malala. Eles voaram para Birmingham e foram escoltados pela polícia até o Queen Elizabeth Hospital.

Malala teria pedido ao pai que levasse alguns de seus livros escolares para a Grã-Bretanha. "Mesmo lá (no hospital) ela está preocupada com os estudos", disse Malik.

Ataque

Malala, de 15 anos, ficou conhecida dentro e fora do Paquistão em 2009, quando assinava, com apenas 12 anos, o blog Diário de uma Estudante Paquistanesa na BBC Urdu, site da BBC para o Paquistão.

No blog, ela relatava as dificuldades de viver em uma região sob forte influência do Talibã e defendia a educação de meninas - a qual integrantes do grupo insurgente se opõem firmemente.

O Talibã disse que atirou em Malala porque ela "promove o secularismo" e prometeu atacá-la novamente, caso ela sobreviva. Por isso, há quem questione se seria seguro para a menina retornar a seu país.

O atentado contra a menina ocorreu quando ela voltava para casa da escola no dia 9 deste mês, na cidade de Mingora, no Vale do Swat.

Dois homens armados abordaram a van escolar em que Malala estava, juntamente com outras dez crianças, em uma avenida congestionada.

Um deles entrou na van e perguntou quem era Malala. Ao receber a resposta, ele disparou três tiros - acertando a menina na cabeça e ferindo duas de suas colegas.

Malala foi levada à Grã-Bretanha para que pudesse receber tratamento seis dias mais tarde.

Na quinta-feira (dia 25) médicos do hospital de Birmingham disseram que ela ainda precisará ficar mais tempo em recuperação antes de se submeter a uma cirurgia.

A menina foi atingida por uma bala em cima do olho esquerdo e por outra no pescoço. De acordo com os médicos, seu crânio precisará ser reconstruído com enxerto de osso ou uma placa de titânio. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.