Painel da guerra: novo bombardeio sobre Bagdá

Bagdá está sob novo bombardeio. Por volta das 14 horas (de Brasília) baterias antiaéreas dispararam para o céu e sirenes foram ouvidas por toda a cidade. Em seguida, bombas e mísseis de cruzeiro caíram sobre diversos prédios da administração pública. Este é o terceiro dia consecutivo de bombardeios. Segundo as agências internacionais é muito provável que os lendários bombardeiros B-52 tenham descarregado parte das bombas. Há algumas horas, vários desses aviões decolaram de uma base na Inglaterra. Oficiais se recusaram a revelar qual era a missão dos aviões, que são praticamente invisíveis ao radar.Na esperança de que o regime iraquiano venha a capitular, comandantes militares americanos mantêm canais de negociação com comandantes iraquianos e evitam lançar bombardeios maciços. Em vez disso, bombas e mísseis americanos visam alvos específicos - incluindo o principal palácio presidencial de Bagdá e fortalezas da tropa de elite iraquiana, a Guarda Especial Republicana.Autoridades americanas disseram que as forças iraquianas estão, aparentemente, sem comunicação com a liderança, depois do ataque inicial de mísseis contra um complexo de Bagdá. O complexo foi atingido devido a informes de que Saddam Hussein estaria lá. As autoridades dizem que não há informação definitiva sobre se Saddam foi ou não pego no ataque, mas indicaram que apoio médico foi convocado ao complexo.O ministro da Informação iraquiano, Mohammed Sa´eed al-Sahhaf, reconheceu que uma das casas de Saddam Hussein havia sido atingida pelo bombardeio de quinta-feira, embora tenha afirmado que não houve feridos. ?Eles bombardearam a residência de sua família?, disse. ?Mas, graças a Deus, estão todos salvos?.Saddam apareceu na TV iraquiana, quinta-feira, poucas horas após o ataque; especialistas da inteligência americana estão analisando as gravações para determinar se foram feitas antes ou depois do bombardeio. A Agência de Notícias Iraquiana, estatal, disse que 37 pessoas foram feridas no bombardeio da noite de quinta-feira ao centro de Bagdá e a outros pontos dentro e nos arredores da cidade. O Exército iraquiano disse que quatro soldados foram mortos e seis outros, feridos, por ataques aéreos, mas não informou baixas em combates no solo.No desertoEnquanto forças americanas e britânicas avançam pelo deserto iraquiano, algumas sem encontrar nenhuma resistência - centenas de soldados iraquianos já se renderam -, outras encontram fogo hostil. A força anglo-americana confirmou sua primeira baixa em combate, um fuzileiro naval dos Estados Unidos. Outros doze fuzileiros - oito britânicos e quatro americanos - morreram quando seu helicóptero caiu e incendiou-se no Kuwait. O desastre não foi causado por artilharia inimiga, disseram militares da coalizão.O porta-voz das forças britânicas no Golfo Pérsico disse que as forças da aliança podem entrar em Bagdá nos próximos ?três ou quatro dias?. O capitão Al Lockwood, falando a repórteres no principal centro de comando no Catar, disse que as forças ocidentais podem chegar rapidamente à capital do Iraque. ?Se eu fosse de apostar, o que não sou, eu diria que, possivelmente, dentro dos próximos três ou quatro dias?, a agência britânica Press Association disse, citando Lockwood.Na zona de guerra, um comboio da 1ª Força Expedicionária de Fuzileiros Navais foi atingida por foguetes iraquianos e fogo de armas leves logo depois de passar a fronteira do Kuwait, informa um repórter da BBC que viaja com a tropa. Outra unidade de fuzileiros, O 3º Batalhão da 7ª Infantaria, teve que atrasar sua entrada no Kuwait depois de receber a informação de que tanques haviam sido avistados no lado iraquiano.Forças americanas tomaram a cidade de Safwan, onde os moradores acenaram para os fuzileiros. Uma mulher se jogou aos pés dos soldados, e teve que ser retirada. Um homem mostrou a mão suja de sangue e disse que sua mulher havia sido baleada pelos americanos. Outro homem, que se identificou apenas como Abdullah, disse que dava boas-vindas aos soldados. ?Estamos muito felizes. Saddam Hussein não presta. Saddam Hussein açougueiro?.As forças iraquianas parecem estar recuando para Basra. Fuzileiros navais americanos tomaram uma posição na principal estrada que liga a fronteira do Kuwait a essa cidade, suprimindo a resistência de morteiros iraquianos.Petróleo e protestoTropas iraquianas teriam ateado fogo a 30 das centenas de poços de petróleo na região, acusa o secretário de Defesa britânico, Geoff Hoon. O Iraque tem 1.685 poços e exportava de 2 milhões de barris ao dia, antes da guerra.Milhares de ativistas protestaram nos EUA, bloqueando ruas, boicotando aulas e acorrentando-se uns aos outros. Mais de 1.500 pessoas foram presas, a maioria numa manifestação em San Francisco. ?Apóie os EUA ou cale a boca?, dizia uma faixa no Mississippi.Grandes manifestações contra a guerra tiveram lugar em Manila (Filipinas), Pequim (China), Roma (Itália), Berlim (Alemanha), Estocolmo (Suécia), e no território palestino da Cisjordânia.Veja o especial :

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