Painel da guerra: Saddam era o alvo; em NY, medo de bombas

As forças dos Estados Unidos lançaram seu esperado ataque contra o líder iraquiano Saddam Hussein, tendo-o pessoalmente como alvo de uma barragem de mísseis de cruzeiro e bombas, num prelúdio para a invasão. O Iraque reagiu horas depois, disparando mísseis contra as tropas americanas e britânicas posicionadas além da fronteira do Kuwait. Nenhum dos disparos iraquianos causou danos ou mortes, e um deles foi interceptado por um míssil Patriot, de acordo com oficiais dos EUA.Os soldados da coalizão anglo-americana chegaram a envergar suas máscaras contra gás e trajes de proteção, mas mais tarde foi informado que, aparentemente, não havia ogivas químicas ou biológicas nas armas iraquianas. No sul do Iraque, um helicóptero que transportava forças especiais dos Estados Unidos caiu horas antes do ataque de mísseis americanos contra Bagdá, mas a tripulação escapou ilesa, segundo fontes do Exército.Sirenes de ataque aéreo foram ouvidas repetidas vezes na Cidade do Kuwait, enquanto autoridades do emirado avisavam que mísseis poderiam se dirigir à cidade. Autoridades americanas informaram que um pequeno avião levantou vôo do Iraque, em direção às tropas americanas, mas caiu no caminho.A primeira salva de tiros contra Saddam não foi o bombardeio aéreo maciço que se esperava, mas um ataque cirúrgico que buscou eliminar o líder iraquiano e seu principal círculo de colaboradores antes mesmo da invasão. Saddam, num pronunciamento pela TV que, segundo autoridades americanas, foi feito após o ataque, denunciou o bombardeio como um ?crime vergonhoso?, enquanto o presidente dos EUA, George W. Bush, afirmava que a segurança do mundo estava em jogo.Bush se reuniu com a assessora de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, antes de ir ao Salão Oval. Família atingidaO ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahhaf, disse que o bombardeio americano matou uma pessoa, atingiu um prédio da alfândega algumas instalações vazias da TV iraquiana. Não houve como checar essas alegações.Catorze pessoas foram atendidas em hospitais de Bagdá, mas nenhuma parecia ligada a Saddam, disseram médicos. Entre os feridos havia seis pessoas de uma família que tomava café da manhã quando foi atingida por estilhaços de bomba, e um jornalista iraquiano.Em Bagdá, após o ataque inicial, a cidade esteve quieta. Algumas crianças andavam de bicicleta ou jogavam bola pela rua.Os primeiros mísseis atingiram seus alvos pouco após o amanhecer e quinta-feira (horário de Bagdá), menos de duas horas após o prazo final definido por Bush. O presidente americano fez um breve discurso para anunciar que a guerra havia começado. Ele disse que a barragem marcava o início de uma operação ?ampla e coordenada? para ?desarmar o Iraque, libertar o povo e proteger o mundo de um sério perigo?. A ofensiva foi batizada Operação Liberdade Iraquiana.As salvas iniciais contra Bagdá foram compostas por 40 mísseis Tomahawk, lançados de navios da Marinha no Golfo e no Mar Vermelho, bem como bombas de 900 kg jogadas por dois aviões ?stealth? F-117A Nighthawk.Autoridades americanas disseram que os ataques não eram um sinal de que a ofensiva aérea contra o Iraque já havia começado, mas tinham sido aprovados por Bush, em resposta a informações de que Saddam e seus filhos, Udai e Qusai, poderiam estar dormindo em um dos alvos.Cerca de duas horas após a queda dos mísseis, Saddam, com ar abatido, apareceu na TV iraquiana em uniforme militar. Uma análise inicial da fita por especialistas americanos indica que aquele era realmente Saddam, e não um sósia. O fato de que Saddam lia de um bloco indicava que o pronunciamento estava sendo feito após o ataque, porque havia sido preparado apressadamente, disseram os especialistas.?Prometemos a vocês que o Iraque, sua liderança e seu povo resistirão aos invasores malignos?, disse ele. ?Eles enfrentarão uma derrota amarga, se Deus quiser?.Centenas de membros armados do partido Baath, de Saddam, e forças de segurança tomaram posição em Bagdá após o ataque. FarejadoresNos EUA, autoridades estaduais e municipais intensificaram medidas de segurança, na esperança de proteger geradoras elétricas, pontes e outras instalações de um possível contra-ataque terrorista. Em Nova York, a polícia patrulhava as ruas com cães farejadores de explosivos. ?Há dois frontes nesta guerra?, disse o prefeito Michael Bloomberg. ?Um é nas ruas de nossas cidades, o outro, no exterior?.Em outras partes do mundo, as reações aos ataques foram as mais variadas. Rússia e China exigiram uma interrupção imediata da ação militar, que o presidente russo Vladimir Putin chamou de ?grande erro político?. Partidos religiosos no Paquistão pediram uma greve geral contra a política americana, e manifestantes no Egito, atirando pedras, entraram em choque com a polícia.Apoio a Washington veio dos aliados Grã-Bretanha e Japão, entre outros. A Austrália, que enviou 2.000 soldados ao Golfo, disse que seus navios de guerra e jatos de combate estiveram envolvidos no apoio aos combates de hoje. Em Israel, civis passaram a carregar máscaras de gás, e unidades de defesa antiaérea foram colocadas em alerta máximo para interceptar mísseis iraquianos. Coincidindo com os ataques em Bagdá, cerca de 1.000 soldados americanos iniciaram uma invasão de vilarejos no sudeste do Afeganistão, caçando membros da Al-Qaeda.Veja o especial :

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