Painel diz que Tepco ainda tem problemas com usina

A Tokyo Electric Power Co. (Tepco), operadora da usina de Fukushima, ainda enfrenta problemas para lidar com a questão, 16 meses após o desastre nuclear, adiando as investigações e tentando minimizar os reais danos ocorridos no complexo, afirmaram investigadores nesta segunda-feira.

AE, Agência Estado

23 de julho de 2012 | 16h30

O relatório de um painel apontado pelo governo está entre os vários que criticam a Tepco e o governo por fazerem muito pouco para proteger a usina Fukushima Dai-ichi do terremoto e tsunami que atingiram o local em março de 2011 e por não agir corretamente quando três dos reatores derreteram, configurando o pior acidente nuclear do mundo desde Chernobyl.

Os investigadores disseram que a empresa ainda tem de tratar de problemas de sua própria cultura interna, que contribuiu para as falhas durante a crise, dentre elas a presença de funcionários "não treinados para pensarem por si mesmos".

"Ainda não vemos muito entusiasmo na investigação do acidente" da parte da empresa, diz o documento. "A Tepco deve aceitar com sinceridade nossas descobertas e resolver os problemas para atingir um nível mais alto de cultura de segurança na companhia."

Funcionários da Tepco entrevistados pelos integrantes do painel demonstraram experiência com equipamentos de emergência, mas muitos não conseguiram dizer em que momento da crise eles eram mais necessários, diz o relatório.

Um exemplo mostrado no documento foi o fato de os funcionários estarem cientes de que os medidores de água dos recipientes de confinamento estavam provavelmente quebrados e que suas medições eram incorretas. Mas nenhum deles levantou a questão e a empresa continuou a divulgar dados incorretos durante meses.

Novos medidores instalados em um reator mostram que não havia praticamente água no interior dos recipientes, o que sugere que os outros dois reatores afetados podem apresentar condições semelhantes.

Os trabalhadores "não foram completamente treinados para pensarem por si mesmos e não tinham uma forma de pensamento flexível e proativa, necessário na gerência de crises", diz o relatório.

O documento divulgado nesta segunda-feira, assim como outros publicados anteriormente, diz que a operadora e os reguladores fracassaram em melhorar a segurança da usina e em atender os padrões internacionais para minimizar riscos, incluindo a possibilidade de danos graves no caso de falta de energia. As informações são da Associated Press.

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