País busca arma desde anos 50

Coreia do Norte seguiu o caminho de utilizar plutônio para fazer a bomba; agora, tenta método mais eficaz

, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 00h00

Há dois caminhos possíveis para se chegar a uma arma nuclear: obter plutônio a partir dos restos de combustível produzidos num reator nuclear, ou enriquecer o urânio até atingir o grau necessário para a fabricação de armamentos. Desde a década de 50, a Coreia do Norte seguiu o primeiro caminho e seu arsenal foi construído a partir do combustível coletado a partir do pequeno reator nuclear de Yongbyon. A instalação estava em péssimas condições, e foi fechada em 2008.

No entanto, a Coreia do Norte já tinha avançado muito pelo segundo caminho - o enriquecimento de urânio, a escolha do Irã para seu programa de armas nucleares. Como o Irã, a Coreia do Norte insiste que o combustível se destina à geração de eletricidade a partir de um reator experimental ainda não construído.

Como os norte-coreanos impedem as inspeções internacionais, pode ser impossível monitorar a quantidade de material já produzido ou se este poderia ser usado para fabricar ou aprimorar bombas atômicas.

Durante 15 anos, a inteligência americana relatou ter encontrado evidências de que Pyongyang estaria buscando o enriquecimento do urânio, tendo como base principalmente a tecnologia comprada de A. Q. Khan, o cientista nuclear paquistanês fora da lei, em 1996. Houve relatos posteriores de iniciativas norte-coreanas para a compra de componentes centrais para as centrífugas.

"As agências de espionagem dormiram no ponto", disse Jack Pritchard, ex-funcionário do Departamento de Estado que visitou o principal complexo nuclear norte-coreano, em Yongbyon, uma semana antes da visita de Hecker e ouviu os norte-coreanos se vangloriando de suas novas capacidades.

Um funcionário do alto escalão do governo disse que os norte-coreanos "devem provavelmente dispor de outras instalações" anteriores à de Yongbyon ainda não detectadas.

O PROGRAMA

Capacidade

Especialistas creem que a Corea do Norte tinha entre 6 e 8 artefatos nucleares até o fim do ano passado. Estima-se que nos últimos meses os norte-coreanos tenham obtido pelo menos uma bomba mais

Tecnologia de vetores

Apesar de ter desenvolvido a bomba, Pyongyang tem encontrado dificuldade para miniaturizar a arma ao ponto de poder ser transportada por um míssil. O país, no entanto, tem mostrado alguns sinais de progresso na construção de mísseis de médio e longo alcance

Testes

A Coreia do Norte realizou o primeiro teste nuclear em outubro de 2006, fazendo explodir um artefato com núcleo de plutônio. Um segundo teste foi feito em 2009, com a explosão de uma bomba que tinha de um quinto a um quarto da potência da bomba lançada em Nagasaki

Instalação

O complexo de Yongbyon, construído a partir de 1980, é o coração do programa norte-coreano

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.