Pais de Madeleine ficam em Portugal e juram inocência

Kate e Gerry McCann não querem dar a impressão de que estão fugindo

Reuters e AP, Praia da Luz, Portugal, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2008 | 00h00

Philomena McCann, irmã de Gerry McCann, pai da garotinha Madeleine, de 4 anos, desaparecida há quatro meses em Portugal, disse ontem à rede de TV britânica BBC que seu irmão e sua cunhada gostariam de voltar à Grã-Bretanha, mas permanecerão na casa que alugaram na Praia da Luz para provar sua inocência no caso. "Eles não querem dar a impressão de que estão fugindo", disse.Na sexta-feira, o anúncio da polícia portuguesa de declarar os pais de Madeleine suspeitos de uma suposta morte acidental da menina causou uma reviravolta no caso. Até então, o único suspeito era o britânico Robert Murat, que mora com sua mãe próximo ao hotel onde se hospedava a família McCann quando Madeleine desapareceu. A casa de Murat já foi revistada duas vezes e nada foi encontrado. A polícia, no entanto, informou ontem que ele ainda é suspeito no caso.Madeleine desapareceu em 3 de maio de um hotel na Praia da Luz. Seus pais dizem que estavam jantando com amigos enquanto a menina dormia com seus irmãos mais novos, um casal de gêmeos de 2 anos. Desde então, o drama dos pais de Madeleine comoveu o mundo. A mãe, Kate, e o pai, Gerry, ambos médicos, alugaram uma casa no local onde a filha foi vista pela última vez e passaram a peregrinar pela Europa com fotos e brinquedos de Madeleine. Reuniram-se com o papa Bento 16, sensibilizaram a escritora J.K.Rowling, que decidiu exibir um pôster da menina no lançamento do último livro da série Harry Potter. Depois foi o craque David Beckham que gravou um apelo emocionado na TV. Tanta publicidade serviu para que os pais arrecadassem US$ 2 milhões em ajuda. Dinheiro bem-vindo, já que os McCann não recebiam salários desde junho.REVIRAVOLTANa quarta-feira, porém, testes realizados na Grã-Bretanha revelaram traços de sangue, que poderiam ser de Madeleine, no carro alugado pelo casal 25 dias depois de ela ter desaparecido. Uma das teses da polícia passou a ser a de que Kate seria responsável pela morte acidental da filha dentro do quarto do hotel. Com ajuda do marido, eles teriam escondido o corpo e usado o carro alugado para transportá-lo para outro lugar. Depois de dois dias de interrogatórios, Kate e Gerry foram declarados suspeitos na sexta-feira. Philomena McCann, a tia, afirmou que a polícia portuguesa teria oferecido um acordo a Kate: dois anos de prisão em troca da confissão do crime. Os pais continuam afirmando que são inocentes."A polícia não está mais procurando por Madeleine", disse John Corner, um amigo da família. "O que eles querem é uma maneira de encerrar o caso o mais rápido possível. E o jeito mais fácil de fazer isso é acusar a família." O advogado português dos McCanns, Carlos Pinto Abreu, disse ontem que, por enquanto, não há nenhuma acusação formal e que as investigações continuam.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.