País desmente denúncia de ataque a civis

ONU acusa militares israelenses de abrigar 110 palestinos em prédio e, 24 horas depois, bombardear o local

AP, AFP, EFE e REUTERS, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

As Nações Unidas acusaram ontem Israel de matar 30 civis palestinos ao bombardear um prédio na Faixa de Gaza e exigiram uma investigação independente sobre crimes de guerra cometidos pelo governo israelense desde o início do conflito, há 14 dias. O governo do premiê Ehud Olmert negou as acusações e as qualificou como "inverossímeis"."Estamos preocupados com a violação de leis internacionais e incidentes dessa ordem têm de ser investigados, pois exibem elementos que podem constituir crimes de guerra", afirmou Navi Pillay, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU afirmou, em seu relatório semanal sobre a situação em Gaza, que o Exército israelense abrigou 110 civis palestinos em um prédio no bairro de Zeitoun no dia 4 e, 24 horas depois, bombardeou o local. Segundo o documento, o ataque deixou 30 mortos. Quatro testemunhas confirmaram a informação.O Exército de Israel negou a acusação. "A denúncia de que o edifício foi atacado é inverossímil, pois no dia 4, a data mencionada pela organização internacional, as forças militares ainda não haviam chegado a Zeitoun", afirmou o porta-voz israelense Yaacov Dallal. Sobre o bombardeio, ele assegurou que o Exército "não registrou disparos de artilharia ou aéreos na área". Dallal destacou ainda ser "improvável que um fato com tantas vítimas tenha passado despercebido durante quatro dias e sem que nenhum veículo de comunicação o noticiasse".O episódio fez com que o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, convocasse uma reunião de emergência para discutir uma resolução para condenar as ações de Israel no território palestino.Durante a reunião, Navi lembrou que as duas partes do conflito devem tratar dos feridos e hospitais e ambulâncias devem ser poupados de ataques. "A localização das estruturas da ONU foram comunicadas às autoridades israelenses", afirmou Navi. "Israel desafiou o pedido de proteção da ONU."Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), uma de suas equipes de resgate encontrou quatro crianças perto dos corpos de suas mães mortas em Zeitoun. "Há uma obrigação internacional por parte de soldados de proteger civis e não os matar indiscriminadamente", disse Navi. "Nesse caso, as crianças estavam indefesas e os soldados estavam próximos." A comissária da ONU também condenou os ataques de ambos os lados por afetar a população civil. Navi qualificou de "inaceitáveis" os disparos de foguetes do Hamas contra o sul de Israel e disse que a ofensiva israelense na Faixa de Gaza é "intolerável".Ontem, aviões e helicópteros israelenses bombardearam Gaza pela manhã e o Hamas respondeu disparando foguetes contra Israel. Antes do amanhecer, o Exército israelense já havia lançado mais de 30 ataques contra Gaza. Os foguetes do Hamas atingiram principalmente as cidade israelenses de Bersheva e Ashkelon. O Hamas afirmou ontem em seu website que alguns de seus foguetes atingiram a base da Força Aérea de Israel em Tel Nof, entre as cidades de Rehovot e Gedera. Israel não confirmou a informação. A base fica a 27 km de Tel-Aviv e seria o alvo mais distante já atingido por um foguete do Hamas desde o início do conflito.Funcionários da ONU afirmaram ontem que retomarão a ajuda a Gaza após o Ministério da Defesa de Israel assegurar que os trabalhadores humanitários estarão mais protegidos. Michele Montas, porta-voz da ONU, disse que o Exército israelense afirmou à organização que "lamentava profundamente" os incidentes que motivaram a suspensão da ajuda a Gaza.A ONU suspendeu seus trabalhos no território palestino na quinta-feira após um de seus comboios ser atacado por soldados israelenses. O diretor da ONU para as operações na Faixa de Gaza, John Ging, disse que a organização perdeu a confiança no Exército israelense, mas garantiu que a distribuição de ajuda seria retomada ainda ontem.

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