Ulises Ruiz Basurto/EFE
Ulises Ruiz Basurto/EFE

Pais dos 43 estudantes desaparecidos no México farão greve de fome

Parentes dos jovens ficarão 43 horas em jejum antes de se reunirem com o presidente Enrique Peña Nieto; desaparecimento completa um ano no sábado

O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2015 | 11h44

CIDADE DO MÉXICO - Os parentes dos 43 estudantes desaparecidos no México há quase um ano começarão na quinta-feira, 24, uma greve de fome, antes de serem recebidos na residência oficial de Los Pinos pelo presidente mexicano, Enrique Peña Nieto.

O jejum terá início às 19h (horário local, 21h em Brasília) e duração de 43 horas, uma por cada um dos alunos da Escola Normal de Ayotzinapa que desapareceram no dia 26 de setembro na cidade de Iguala, no estado de Guerrero, após serem atacados por policiais.

Conforme disseram fontes ligadas aos familiares, os pais viajarão à capital mexicana e se reunirão na Praça da Constituição (conhecida como Zócalo), onde permanecerão acampados durante o jejum, que acabará na próxima sexta-feira, dia 25, às 14h (horário local, 16h em Brasília).

Na quinta-feira, eles irão a Los Pinos, onde serão recebidos por Peña Nieto em um encontro no qual estará presente o Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

A reunião com o presidente mexicano e o GIEI foi um dos pedidos que os pais fizeram depois de analistas publicarem um relatório rejeitando a versão oficial oferecida pela promotoria mexicana sobre o ocorrido em 26 de setembro de 2014. Segundo essa versão, os jovens foram detidos por policiais e entregues a membros do cartel Guerreros Unidos, que os mataram e os incineraram no município de Cocula, perto de Iguala.

Entre outros motivos para não aceitar tal versão, os analistas afirmam que se basearam em um estudo realizado pelo especialista em incêndios José Luis Torero, que negou a possibilidade de 43 pessoas terem sido queimadas nessa região até se tornarem cinzas.

No encontro com Peña Nieto, os parentes abordarão a insatisfação na forma como o caso é conduzido e exigirão que as buscas sejam retomadas. O advogado do grupo, Vidulfo Rosales, disse que eles pedirão ao líder a criação de várias seções especializadas para o caso, além da incorporação e investigação oficial das conclusões apresentadas pelo GIEI.

No próximo sábado, o desaparecimento completa um ano. Para lembrar a data está programada uma passeata entre Los Pinos e o Zócalo, no centro da capital mexicana. /EFE

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