'País é candidato natural ao Conselho de Segurança', diz Annan

Ex-secretário-geral da ONU defende reforma no órgão das Nações Unidas em São Paulo

Caio Quero. do estadao.com.br,

14 de julho de 2008 | 19h51

O ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, abriu nesta segunda-feira, em São Paulo, o 4º Congresso Brasileiro de Publicidade com uma palestra aos representantes do mercado publicitário e à imprensa. Em sua segunda visita ao Brasil , Annan discutiu os novos desafios da comunidade internacional e comentou a possibilidade de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil reivindica uma cadeira permanente. "O Brasil é um candidato natural à uma cadeira permanente no Conselho de Segurança", disse Annan, que defendeu uma reforma no órgão que atualmente tem entre seus membros permanentes China, França, Estados Unidos, Reino Unidos e Rússia. Para ele, o Conselho precisa de uma reestruturação democrática, com a inclusão de membros permanentes da América Latina, África, Ásia e Europa. Entre os possíveis candidatos, ele citou nominalmente o Japão e a Alemanha. Annan afirmou ainda que a inclusão do Brasil entre os membros com direito à veto deve ser tratada com os países vizinhos.  Aquecimento global O ex-secretário-geral da ONU afirmou que o maior desafio da comunidade internacional no momento é lidar com as conseqüências das mudanças climáticas. "Não podemos utilizar os recursos naturais como se não houvesse amanhã", disse Annan, que explicou que as mudanças climáticas no planeta são uma ameaça à economia e à segurança mundial e ressaltou o aumentou mundial nos preços dos alimentos como uma das principais conseqüências do fenômeno. "Uma das conseqüências das mudanças climáticas que o mundo terá que administrar é a possibilidade de migrações em massa. Essas mudanças climáticas são a força mais destrutiva que a humanidade terá que enfrentar", disse Annan, que defendeu que os países mais poluidores devem ser taxadas por suas emissões de CO2. Este dinheiro seria usado no desenvolvimento de tecnologias verdes.  Biocombustíveis O ex-secretário-geral das Nações Unidas criticou ainda o uso de grãos para a produção de biocombustíveis, dizendo ela é parte do problema da fome no mundo. "Quando você usa milho para produzir combustível, uma pessoa morre de fome no mundo", disse Annan, que afirmou que mesmo no caso do uso da cana-de-açúcar para a produção de álcool, os países devem prestar atenção para não utilizarem suas terras mais férteis para a cultura. América Latina Para o ex-secretário-geral, a situação política na América Latina é mais estável hoje do que quando exercia o cargo nas Nações Unidas, entre 1997 e 2006. "Fiquei feliz com o encontro entre Hugo Chávez (presidente da Venezuela) e Álvaro Uribe (líder da Colômbia). Mas é preciso estar atendo à situação da Bolívia", disse Annan. A Bolívia realiza um referendo que pode revogar o mandato do presidente Evo Morales no próximo dia 10 de agosto.   África Annan também citou o indiciamento do presidente do Sudão, Omar Bashir, pelo Tribunal Penal Internacional nesta segunda-feira e disse que a comunidade internacional deve manter os esforços para resolver a crise no país. Ele comentou ainda a situação no Zimbábue, onde o presidente Robert Mugabe foi reeleito em um processo eleitoral acusado de ser viciado pela oposição e pela comunidade internacional. Para ele, o país deve seguir o exemplo do Quênia, onde uma crise institucional após as eleições em dezembro do ano passado foi solucionada com um governo de coalizão liderado pelo primeiro-ministro oposicionista Raila Odinga.

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