País é importante rota do petróleo russo

Disputas caracterizam as relações da Rússia com Estados que hospedam seus dutos

REUTERS, O Estadao de S.Paulo

12 de agosto de 2008 | 00h00

As relações da Rússia com os países que hospedam dutos pelos quais escoa o petróleo e o gás dos campos russos e dos que pertencem aos países da antiga União Soviética, em direção ao Ocidente, têm sido caracterizadas por freqüentes disputas. A Geórgia, que está em conflito com a Rússia por causa de duas regiões separatistas, tem dois oleodutos que cruzam o país transportando petróleo e gás do Azerbaijão para a Turquia. São as primeiras rotas que levam energia do Mar Cáspio ao Ocidente sem passar pela Rússia e são particularmente valiosas para a União Européia, que está ansiosa por reduzir sua dependência da energia russa. Segundo analistas, os riscos políticos e para a segurança decorrentes desse conflito poderão beneficiar o plano da Rússia de impedir que os investidores ocidentais aumentem seu envolvimento na energia do Cáspio e garantir que futuras rotas de exportação passem pela Rússia. Conflitos anteriores tiveram como motivo os cortes dos fornecimentos de gás para a Ucrânia e a interrupção do envio de petróleo para a Bielo-Rússia, ambos por causa de disputas com Moscou relativas a preços. A seguir, um panorama dos principais países pelos quais passam os dutos:GEÓRGIAÉ a única via de trânsito para o petróleo e o gás do Azerbaijão ao Ocidente que não passa pela Rússia. O oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan foi inaugurado em 2006 e pode bombear 1 milhão de barris diários de petróleo para o porto turco de Ceyhan. O oleoduto Baku-Tbilisi-Erzurum transporta o gás do campo de Shakh Deniz, no Mar Cáspio, para Erzurum, na Turquia desde 2007. A importância da Geórgia como país de trânsito aumentará se as companhias ocidentais investirem nos campos de gás do Turcomenistão e procurarem uma rota de exportação por meio do Mar Cáspio, deixando a Rússia de lado. UCRÂNIACerca de 80% das exportações de gás da Rússia para a Europa passam pela Ucrânia. Há muito tempo a Ucrânia negocia o preço que paga à Rússia pelo gás, mas a briga chamou a atenção mundial em janeiro de 2006, depois que a petrolífera russa Gazprom interrompeu o fornecimento para a Ucrânia. Conseqüentemente, também foram afetadas as exportações para a Europa, que recebe da Rússia 25% do gás consumido. A disputa foi resolvida quando a Ucrânia concordou em pagar aproximadamente o dobro pelo gás. A Rússia deixou claro que sua estratégia é ter uma participação na infra-estrutura dos países de trânsito, mas a Ucrânia rejeitou a perspectiva.BIELO-RÚSSIACerca de 20% das exportações de gás da Rússia para a Europa passam pela Bielo-Rússia. Além disso, o oleoduto Druzba - que passa por Ucrânia e Bielo-Rússia - abastece 10% do petróleo consumido pela Europa. Em janeiro de 2007, durante uma disputa por causa de preço com a Rússia, o envio de petróleo por meio da Bielo-Rússia foi interrompido por três dias. POLÔNIAÉ um importante país para o trânsito das exportações de petróleo e gás russo para a Europa. Tanto o oleoduto Druzba quanto o gasoduto Yamal-Europa que saem da Rússia, via Ucrânia e Bielo-Rússia, passam pela Polônia. No ano passado, a Polônia rejeitou o pedido da Gazprom de redução das tarifas pelo bombeamento do gás russo através do território polonês até a Europa. Depois de vários desentendimentos com a Rússia, a Turquia procurou diversificar suas fontes de importação e alimenta a ambição de tornar-se um centro de distribuição de energia, deixando de ser apenas uma nação de trânsito para a Rússia. BÁLTICOEstônia, Letônia e Lituânia são uma localização vital para o trânsito das exportações de petróleo da Rússia. O sistema de oleodutos russos está conectado a três portos no Mar Báltico - o porto de Ventspils, na Letônia, o de Butinge na Lituânia e o russo Primorsk. As petrolíferas russas transportam anualmente um quarto de suas exportações de produtos refinados de petróleo via Estônia, mas os volumes vêm caindo por causa de uma disputa com o governo de Moscou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.