País é o 2º no mundo com maior número de pobres

As reformas econômicas que a China iniciou em 1978 permitiram que 500 milhões de pessoas deixassem de viver abaixo da linha da pobreza, no mais espetacular esforço do gênero em todo o mundo. Mas com uma população de 1,3 bilhão de pessoas, o país ainda tem o segundo maior contingente de pobres em números absolutos, atrás apenas da Índia, segundo estimativa do Banco Mundial.Além disso, a China tem um enorme grupo que especialistas classificam de "vulnerável", que pode cair rapidamente na pobreza em razão de fatores que reduzem sua renda - exatamente o que está ocorrendo agora.De acordo com o Banco Mundial, em 2005 o país tinha 254 milhões de pessoas que viviam com menos de US$ 1,25, calculados de acordo com a Paridade do Poder de Compra, que leva em conta o poder aquisitivo das moedas dentro de cada país. O número dos que viviam com menos de US$ 1,08 era de 90 milhões.DIVERGÊNCIASO governo chinês usa uma linha de pobreza muito mais baixa que a do Banco Mundial. De acordo com as cifras oficiais, a área rural da China tinha, em 2007, um total de 14,8 milhões de pessoas vivendo em pobreza absoluta, com uma renda anual líquida inferior a 785 yuans, o equivalente a US$ 115 ou US$ 0,31 por dia. Outros 28,41 milhões de camponeses sobreviviam com renda entre 786 e 1.067 yuans - US$ 156 ao ano ou US$ 0,43 por dia.Em um estudo divulgado em abril, o Banco Mundial calcula que o universo de pessoas vulneráveis à pobreza é cerca de duas vezes maior do que a população que já vive na pobreza. Quase um terço da população esteve em situação de pobreza em pelo menos um de cada três anos. Grande parte da severidade da pobreza é atribuída a riscos contra os quais as famílias não têm como se assegurar. O Banco Mundial considera o caso chinês como o mais bem sucedido exemplo de redução da pobreza em todo o mundo e aponta a expansão econômica como o principal fator por trás da façanha.A ausência de uma rede de proteção social e o risco iminente de cair abaixo da linha da pobreza leva muitas famílias rurais a pouparem para enfrentar crises inesperadas. Agora, além da necessidade de poupar, os camponeses enfrentam a queda nos salários dos migrantes rurais, que enviam grande parte do que ganham para suas vilas de origem.O resultado, na avaliação da consultoria Dragonomics, poderá ser a queda no consumo rural, exatamente no momento em que Pequim se volta para o mercado doméstico na tentativa de amenizar os efeitos da desaceleração global.O Banco Mundial observa que a taxa de poupança dos chineses é altíssima, mesmo entre os mais pobres - 43% dos que vivem abaixo da linha de pobreza guardam parte de sua renda para emergências.NÚMEROS DA CHINA500 milhões deixaram de viver abaixo da linha de pobreza nos últimos anos 254 milhões de camponeses viviam com menos de US$ 1,25 ao dia em 2005, dos quais 90 milhões viviam com menos de US$ 1,08 ao dia

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.