País é o 4º mais violento do mundo, segundo a ONU

Mesmo nos distritos mais ricos, a noite de Caracas termina às 22 horas. Permanecer nas ruas além desse horário é uma aventura perigosa. Para o governo de Nicolás Maduro, este é um tema tabu, mas a Venezuela é um dos países mais violentos do planeta, com 55,4 mortes por armas de fogo por cada 100 mil habitantes, segundo números recentes da Organização Mundial de Saúde. Em comparação, o mesmo estudo aponta o Brasil como o 18.º país mais violento, com 21,9 mortes por cada 100 mil habitantes. A Venezuela é o quarto.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2015 | 02h03

Essas cifras, segundo o organismo da ONU, são indicativas de "violência endêmica", um fenômeno de causas variadas, difícil de combater. "Numa sociedade politicamente dividida como a venezuelana, não falta quem atribua o aumento da criminalidade a ações do chavismo, acusado pela oposição de fazer pouco para combatê-la e aproveitar-se da violência nos grotões urbanos mais pobres para impedir o crescimento da oposição nesses locais", disse ao Estado a socióloga Ana Solís. "Claro que é uma leitura simplista da situação, motivada por fatores muito mais profundos."

Entre os fatores, explica a especialista, está o adensamento demográfico das áreas urbanas, iniciada em princípios da década de 80, com o abandono dos campos e a busca de oportunidades após o fim do período de notável prosperidade decorrente da primeira crise do petróleo, na década anterior. A população de Caracas, na época, praticamente dobrou e chega hoje a mais de 4 milhões de pessoas - do total de pouco mais de 30 milhões da população nacional.

Além disso, o governo fracassou em seu plano de desarmar a população - o país é um dos mais armados do mundo, segundo entidades internacionais - e os corpos policiais não foram capazes de conter a formação de gangues juvenis, que espalham o terror pela capital. / R. L.

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