Pais molestam os próprios filhos e divulgam imagens na Internet

Uma rede de pornografia infantil integrada por pais que molestavam sexualmente os próprios filhos e vendiam as fotos dos crimes pela Internet foi desmantelada, após uma operação conjunta entre policiais americanos e europeus, que até agora levou 20 pessoas à prisão. Ao todo, 45 crianças com idades que variam de 2 a 14 anos foram vítimas da rede. Oitenta por cento delas sofreram abusos de seus pais. "Eu raramente vi crimes tão vis e repugnantes", disse hoje o chefe do serviço de fronteiras dos Estados Unidos, Robert C. Bonner, durante uma coletiva à imprensa em Washington. A investigação sobre a rede começou em novembro do ano passado, a partir de uma informação fornecida por um grupo de defesa dos direitos das crianças, chamado Save the Children, que descobriu na Internet imagens vindas da Dinamarca de uma menina de nove anos submetida a abusos pelo pai. Em seu computador, a polícia achou dados sobre a rede de pedófilos. As autoridades americanas entraram no caso em janeiro. Nos meses seguintes conseguiram prender dez pessoas na Califórnia, Flórida, Texas, Idaho, Nova York, New Jersey, Carolina do Sul, Michigan e no Estado de Washington. Um dos detidos se suicidou logo após ser apanhado pela polícia. O indiciamento dos outros nove foi anunciado hoje pela Justiça de Fresno, na Califórnia. Seis dos europeus presos são da Dinamarca, Suíça e Holanda. O Ministério da Justiça dos EUA está pedindo a extradição dos seis para enfrentar a Justiça americana. Outros quatro europeus foram acusados pelas autoridades dinamarquesas. As acusações de abuso sexual de crianças, conspiração para explorá-las e troca de material pornográfico infantil podem render penas de 10 a 20 anos. Segundo Bonner, alguns dos envolvidos podem ser condenados a até 60 anos de prisão caso seja comprovado que estiveram relacionados a todos os crimes. As autoridades aguardam efetuar mais prisões e ainda estão tentando identificar outras crianças que aparecem nas imagens da Internet. O inquérito aberto pela polícia menciona que os membros da rede de pedofilia tratavam a si mesmos como "o clube" e trocavam mensagens pela Internet requisitando fotos com poses sexuais específicas. Um homem pediu uma fita de audio na qual ele pudesse ouvir uma criança enquanto estava sendo espancada. Outro pousou nu para fotos ao lado de sua filha menor de idade. Bonner citou o caso de um homem que trocou sua própria filha com outro pedófilo para que ela fosse molestada. O chefe do serviço de fronteiras americano afirmou ontem nunca ter visto um ação como essa. "Se isso for freqüente, que Deus nos ajude", disse ele.

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