País pode atingir todos os alvos no Irã

Análise: Roberto Godoy

É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM TEMAS DE DEFESA, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2012 | 03h01

A instalação de mísseis com ogivas nucleares a bordo dos submarinos leves de Israel é uma façanha e tanto. Os problemas técnicos envolvidos foram resolvidos pelos especialistas navais israelenses em apenas três anos - a contar do início do programa.

As novas tecnologias utilizadas funcionaram bem - em ação, a frota de seis navios comprados na Alemanha, da classe Dolphin, poderá atingir todos os alvos estratégicos mapeados no Irã, o inimigo do momento.

Três unidades podem ser consideradas operacionais. As outras seguem em desenvolvimento nos estaleiros do Mar do Norte, na Alemanha.

Os submarinos seguem especificações definidas por engenheiros israelenses. O sistema de disparo de torpedos incorporou ao menos quatro câmaras extras de 650 milímetros além do habitual conjunto de seis lançadores menores, de 533 milímetros. Os tubos maiores serão empregados no lançamento dos mísseis.

Oficialmente, o equipamento, de medida incomum, foi projetado para permitir a saída de equipes de mergulhadores de combate.

É mais que isso. O estaleiro do grupo HDW instalou a bordo um recurso hidráulico muito refinado, inspirado no que serve aos grandes submarinos americanos da classe Ohio, que deslocam 18,7 mil toneladas.

Bolha de ar comprimido. Os modelos Dolphin não passam de 1,6 mil tonelada. O dispositivo lança o míssil, contido dentro de uma bolha de ar comprimido. Um sensor indica o momento em que a arma está fora da água - e só então começa a ignição do motor. Toda a sequência dura poucos segundos.

O míssil mais provável é a versão avançada do Popeye Turbo, de 1.300 quilos, criado na empresa Rafael, de Israel. Testes monitorados desde 2002 pela Marinha dos Estados Unidos indicam que pode alcançar até o limite de 1.500 quilômetros, embora sua faixa de maior eficiência fique entre 800 e 900 quilômetros.

O Popeye SLCM leva uma ogiva de ataque de 200 quilos. Mesmo para uma carga nuclear é pouco. Todavia, talvez seja suficiente para, a partir do Golfo, chegar a Teerã e também às reservadas instalações de pesquisa e desenvolvimento do projeto atômico do Irã, escondidas sob a terra em pontos como Isfahan, Qom e Tabriz.

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