País quase abateu avião que levava embaixador cubano

Bastidores: Roberto Simon

O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2012 | 03h05

Era Semana Santa de 1982, em plena Guerra nas Malvinas, quando o chefe da Divisão de América Latina do Itamaraty, Rubens Ricupero, foi chamado à casa do chanceler do Brasil, Ramiro Saraiva Guerreiro. Lá, o diplomata escutou do chefe uma notícia alarmante: um avião com o embaixador cubano na Argentina entrara, sem permissão, no espaço aéreo brasileiro e caças da Aeronáutica tentavam obrigá-lo a pousar em Brasília. A ordem do presidente João Figueiredo era abater a aeronave caso ela não obedecesse.

Documentos obtidos pelo Estado mostram que a Marinha brasileira acreditava que o embaixador cubano levaria a Buenos Aires um plano de cooperação com Havana. Ricupero diz desconhecer essa informação.

Sob uma tempestade, o diplomata brasileiro foi até a Base Aérea de Brasília. "Quando entrei na sala de operações, fiquei gelado: ouvi o diálogo no rádio entre o controlador e um dos pilotos, que dizia que o avião cubano se recusava a pousar. Chegaram a dar tiros de advertência", lembra o embaixador. O alívio veio quando a aeronave, de fabricação russa, começou a dispensar combustível, indicando que aterrissaria.

O pouso em Brasília ocorreu na madrugada, com a pista cheia de soldados. "Quando abrem a porta, desce um senhorzinho rechonchudo de meia-idade, uma matrona e um menino, neto do casal, todos assustadíssimos", diz Ricupero. O avião foi inspecionado, mas a Aeronáutica nada encontrou. "Imagine se tivessem abatido o avião, em plena guerra. Teria sido mais do que uma tragédia."

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