Pais que perderam filhos na China poderão ter outro bebê

Exceção à regra do filho único será dada aos casais cujos filhos foram mortos ou mutilados no terremoto

Agência Estado e Associated Press,

26 de maio de 2008 | 17h02

Os pais cujos filhos foram mortos ou mutilados pelo terremoto que atingiu a China poderão ter outro bebê. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 26, por funcionários encarregados de administrar a política do filho único em parte da região atingida, como uma forma de oferecer algum consolo aos casais em luto. Veja também:Passa de 65 mil o número de mortos em terremotoSobem para seis os mortos devido a réplica de tremor na China Mapa da destruição na China Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia  Caso o único filho tenha sido morto, gravemente ferido ou esteja mutilado, os pais podem conseguir uma autorização e então ter um novo bebê. O anúncio foi feito pelo Comitê de Planejamento Familiar e Populacional de Chengdu, que monitora a política sobre esse tema na capital da província de Sichuan. O terremoto do dia 12 de maio causou ainda mais dor para muitos chineses pelo fato de eles terem perdido o único filho. A destruição de quase 7 mil salas de aula durante um dia letivo deixou o país entristecido, com dezenas de fotos de jornais enfocando mochilas de alunos perto de escombros e pequenas mãos surgindo da destruição. Mais de 65 mil pessoas foram mortas pelo terremoto, que também deixou 23 mil desaparecidos. O número de vítimas fatais deve subir. Funcionários ainda não estimaram o número de crianças mortas. Um membro do comitê de Chengdu, que se identificou apenas pelo sobrenome Wang, disse que essas regras em relação à política do filho único estavam sendo feitas especificamente para as vítimas do terremoto. Ele descreveu esse fato como um esclarecimento da política já existente, e se recusou a dar outras explicações. Ainda que chamada geralmente de política do filho único, as regras oferecem exceções e brechas, algumas delas postas em prática por causa da oposição generalizada aos limites impostos. Muitas partes da China rural são exemplos disso. A maioria das famílias pode ter um segundo filho, especialmente se o primeiro bebê for uma menina. Funcionários locais têm geralmente grande autonomia para fiscalizar o cumprimento da lei, o que torna essa política suscetível à corrupção. A política do filho único foi implantada no país no fim da década de 1970, para controlar a população e garantir melhor ensino e cuidados de saúde para as crianças. A lei inclui certas exceções para alguns grupos étnicos, regiões rurais e famílias nas quais marido e mulher são filhos únicos. Segundo o governo, com essas regras o país evitou 400 milhões de nascimentos. Mas os críticos afirmam que a legislação levou a abortos, além de um desequilíbrio entre os sexos - as famílias chinesas em geral preferem ter meninos. Os casais que têm mais de um filho geralmente são multados. Segundo o anúncio feito nesta segunda-feira, se um dos filhos morreu no terremoto, a família não terá mais que pagar multas - mas os valores pagos anteriormente não serão reembolsados. Muitos chineses demonstraram o desejo de adotar órfãos do terremoto. Segundo o governo, uma família pode adotar quantas crianças quiser nesse caso, sem nenhum tipo de punição. Chen Xueyun está entre os que podem ser beneficiados pela nova medida. Ele perdeu o filho de oito anos, Weixi, quando o apartamento da família em Qingchuan desmoronou. O pai buscou por três dias até encontrar o corpo do garoto. "Se eles (os pais) estão ainda tristes e deprimidos, é impossível falar de um novo bebê", disse Chen. "Mas no futuro, pode ser muito útil para eles". Chen confessou que deseja ter outro filho, mas ainda não conversou sobre isso com a esposa.  "Ela não tem uma boa saúde, e está com medo pois seria perigoso ter outra gravidez, então não ousei falar sobre isso", explicou. "Ela me perguntou se nós podemos adotar um órfão do terremoto, mas eu disse para falarmos disso depois."

Tudo o que sabemos sobre:
Chinaterremoto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.