País rediscute o porte de armas por policiais em serviço

Quando um homem vestido com o uniforme da polícia começou a massacrar jovens na Ilha de Utoya, um dos primeiros executados foi um policial de verdade chamado Trond Berntsen, que durante anos garantiu a segurança do acampamento. Diante de um assassino portando diferentes armas e farta munição, havia pouco que ele pudesse fazer. Como a maioria dos policiais da Noruega, ele não estava armado. Anne Holt, ex-ministra da Justiça da Noruega, disse à BBC: "Pelo tempo que o massacre durou, o terrorista matou uma pessoa por minuto. Isso significa que, se a polícia tivesse chegado ao local meia hora antes, 30 jovens poderiam ter sido salvos".

Michael Schwirtz / NYT, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

Pela lei, os policiais noruegueses precisam da autorização de seus superiores para obter acesso a uma arma. Atualmente, apenas os policiais envolvidos em batidas têm acesso imediato às armas, que ficam nos carros de patrulha. Pela lei, elas devem permanecer descarregadas e trancadas numa caixa a não ser que seja dada autorização para seu uso.

A Noruega está entre os três países da Europa Ocidental que não contam com uma força policial totalmente armada. Na Grã-Bretanha e na Islândia, a maioria dos policiais não porta armas de fogo. A Suécia, vizinha da Noruega, passou a exigir que seus policiais carregassem armas em 1965. As estatísticas mostram que, ao longo da última década, a incidência de estupros e outros ataques violentos aumentou na Noruega, ainda que lentamente. Mas a ocorrência de assassinatos permaneceu estável. Em 2009, último ano para o qual estão disponíveis estatísticas oficiais, foram registrados 29 assassinatos neste país de 4,6 milhões de habitantes.

Alguns especialistas temem que a manutenção de policiais armados o tempo todo leve apenas a uma intensificação da violência, conforme os criminosos respondem armando-se também. Para muitos, a resistência a esta ideia está mais relacionada ao orgulho nacional. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.