Países 'amigos' prometem liberar US$ 15 bi para reconstrução da Líbia

Grupo de países convocados pela França pede ao Conselho de Transição líbio que lidere um processo de reconciliação nacional.

Mário Camera, BBC

01 Setembro 2011 | 18h21

O Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT) obteve nesta quinta-feira a promessa de um grupo de "países amigos" de que cerca de US$ 15 bilhões em bens do regime do coronel Muamar Khadafi serão desbloqueados "o mais rápido possível" para ajudar na reconstrução do país.

A decisão foi tomada pelos representantes de 63 países e organizações internacionais que participaram da Conferência Internacional de Apoio à Nova Líbia, realizada nesta quinta-feira, em Paris.

Além do apoio econômico, o CNT também recebeu a garantia de que a ajuda militar da Otan irá continuar, até a captura de Khadafi.

"Enquanto Khadafi for uma ameaça, os ataques continuarão", afirmou em entrevista coletiva o presidente francês, Nicolas Sarkozy, após o encontro.

O presidente francês disse esperar que a recente intervenção na Costa do Marfim e a atual, na Líbia, sejam o início de uma política que "coloque a força militar ao serviço das populações que correm risco" nas mãos de seus próprios governantes, afirmando que isso sempre deve ser feito com a autorização da ONU.

Reconciliação

Em contrapartida, o novo "grupo de amigos" da Líbia pediu que o CNT inicie um processo de reconciliação e perdão, para ajudar na reconstrução do país.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que irá trabalhar junto com o Conselho para organizar o envio, em breve, de uma missão de ajuda humanitária ao país.

"Todos concordamos em dizer que a comunidade internacional deve trabalhar junta na reconstrução do país", disse Ban.

Durante o encontro, o líder do CNT, Moustafa Abdel Jalil, apresentou seus planos para formar um governo "interino e democrático", que garantirá, segundo ele, "os direitos humanos, a liberdade e a Justiça."

Jalil agradeceu o apoio das nações presentes na reunião e garantiu que os responsáveis "por violações graves dos direitos humanos em seu país, serão levados à Justiça" e receberão um tratamento justo.

Brasil

O Brasil foi representado na reunião por seu embaixador no Egito, Cesário Melantonio Neto, que deixou o encontro sem falar com os jornalistas.

Em comunicado divulgado pela embaixada brasileira na França, o governo afirma que o "Brasil está ao lado do povo líbio em suas aspirações por liberdade e democracia".

No entanto, o país voltou a defender o "Conselho de Segurança da ONU como instância primordial para o tratamento de questões de paz e segurança."

A posição do Brasil é a mesma desde as discussões sobre a adoção da resolução 1973, que autorizou os bombardeios da Otan sobre Líbia. Na época, o Brasil se absteve durante a votação.

Questionado sobre as rixas dentro do Conselho de Segurança durante a aprovação da resolução 1973, Sarkozy lembrou que o Brasil, assim como China, Rússia e Índia, tinham enviado representantes à reunião desta quinta-feira em Paris.

"As coisas estão progredindo", disse Sarkozy. "A Líbia precisa do mundo todo."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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