Países árabes avançam em sanções à Síria

Enquanto se avolumam os indícios de que a Síria mergulha em uma sangrenta guerra civil, a Liga Árabe se preparava ontem para aprovar um pacote de sanções que representa um duro golpe para o regime de Bashar Assad. Um esboço de resolução, redigido ontem na sede do organismo no Cairo, recomenda medidas como a interrupção dos voos para a Síria e a suspensão da cooperação dos bancos centrais dos outros 21 países membros.

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / CAIRO , O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h03

O esboço, duro tanto em termos práticos quanto simbólicos, prevê que a Cruz Vermelha Internacional e o Crescente Vermelho, sua filial regional, mobilize entidades locais para atender os que necessitam de ajuda humanitária, como é o caso dos refugiados iraquianos na Síria. Essa precaução é destinada a atrair o voto favorável de países vizinhos à Síria, como Líbano e Iraque, afetados diretamente pelo agravamento da situação no país. A resolução será votada hoje. Em votações anteriores, medidas contra a Síria foram aprovadas quase por unanimidade.

A iniciativa da Liga Árabe coincidiu com o enterro de 22 militares sírios, incluindo 6 pilotos de unidades de elite. Eles foram mortos em ataques de desertores das Forças Armadas sírias, que o regime identifica como "terroristas". De acordo com o Observatório Sírio para Direitos Humanos, com base em Londres, 10 militares foram mortos em confrontos com desertores na noite de sexta-feira para sábado.

Por outro lado, ao menos 13 civis foram mortos pelas forças de segurança, em intensos confrontos nos últimos dois dias, de acordo com ativistas citados pelas agências internacionais. Calcula-se que 3.500 pessoas tenham sido mortas desde o início da rebelião, em março. O grosso dessas baixas são manifestantes em protestos pela saída do ditador Bashar Assad, que governa o país desde 2000, quando herdou o poder de seu pai, Hafez, que por sua vez chegara ao poder em 1970.

O dissidente sírio Thaer al-Nashef afirmou ontem que sua mulher de 25 anos e grávida foi raptada por agentes da inteligência síria no Cairo, e depois solta e largada na rua, inconsciente. Al-Nashef trabalhou na agência estatal síria Sana até 2006, quando passou a se opor ao regime, segundo a Associated Press. Desde 2007, mora no Egito, onde costuma aparecer em programas de TV criticando o regime de Assad.

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