Faisal Al Nasser/Reuters
Faisal Al Nasser/Reuters

Arábia Saudita e aliados cortam relações diplomáticas com Catar após acusações de terrorismo

Doha rejeitou a decisão e a chamou de 'injustificável' e 'sem fundamento'; cinco empresas aéreas do Golfo anunciaram a suspensão dos voos com destino e origem no país

O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 03h59
Atualizado 05 de junho de 2017 | 10h18

RIAD - Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Bahrein e Iêmen romperam nesta segunda-feira, 5, as relações diplomáticas com o Catar, após acusarem o país de apoiar o "terrorismo". A decisão também implica a expulsão de Doha da coalizão árabe que luta no território iemenita.

O Catar rejeitou a decisão, que chamou de "injustificável" e "sem fundamento". O país denunciou em um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores que o objetivo da medida é "colocar o Estado (do Catar) sob tutela, algo totalmente inaceitável".

A agência de notícias estatal de Riad, SPA, informou que a Arábia Saudita cortou os vínculos diplomáticos e consulares com o país vizinho para "proteger a segurança nacional dos perigos do terrorismo e do extremismo". De acordo com uma fonte oficial citada pela SPA, o país também decidiu "fechar fronteiras terrestres, marítimas e a ponte aérea". 

A medida "decisiva" foi motivada pelas "graves violações cometidas pelas autoridades do Catar nos últimos anos", completou a fonte. 

Cinco empresas aéreas do Golfo anunciaram a suspensão dos voos com destino e origem no Catar. Três companhias dos Emirados Árabes - Etihad, Emirates e Flydubai - e uma saudita - Saudia - tomaram a decisão após o anúncio do fechamento das conexões áreas e das fronteiras dos três países vizinhos. 

Em resposta, a Qatar Airways também anunciou a suspensão de todos os voos para a Arábia Saudita.

Na Austrália, onde está em visita oficial, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, pediu aos países do Golfo que permaneçam unidos e superem as divergências. "Estimulamos as partes para que sentem e tratem as divergências", afirmou o chefe da diplomacia dos EUA em Sydney. "Acreditamos que é importante que o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) permaneça unido."

Crise

Esta é a crise mais grave desde a criação em 1981 do CCG, formado por Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Catar. Em poucas horas, quatro países anunciaram a ruptura de laços diplomáticos com o governo de Doha.

A agência de notícias do Bahrein afirmou que o pequeno reino cortaria os vínculos com o Catar por suas reiteradas ameaças "à segurança e à estabilidade do país e por interferências em seus temas". 

O Ministério das Relações Exteriores do Egito informou que o país decidiu "acabar com as relações diplomáticas com o Estado do Catar" porque Doha apoia o "terrorismo". Cairo também anunciou o fechamento de todas as rotas marítimas e aéreas entre os dois países. 

O Catar era um dos principais apoios ao ex-presidente islamista egípcio Mohamed Mursi, derrubado em 2013 pelo ex-comandante das Forças Armadas e atual presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sisi. Desde então os dois países têm uma relação tensa. 

O comunicado egípcio menciona "o fracasso de todas as tentativas para dissuadir (o Catar) de apoiar organizações terroristas".

Alguns analistas temem que a situação provoque a repetição da crise de 2014, quando vários embaixadores de países do Golfo em Doha foram convocados por seus governos, em especial por acusações de que o país apoiava a Irmandade Muçulmana. 

Na semana passada, o emir do Catar viajou ao Kuwait para uma reunião com o emir xeque Sabah al-Ahmad al-Sabah, o que foi considerado uma tentativa de obter uma mediação.

Expulsão

O Catar também foi expulso da coalizão militar árabe que atua no conflito no Iêmen. O grupo, liderado pela Arábia Saudita, justificou a decisão pelo suposto apoio do Catar a organizações jihadistas como a Al-Qaeda e o grupo jihadista Estado Islâmico no Iêmen, segundo um comunicado divulgado pela agência SPA

A coalizão está presente há mais de dois anos no conflito do Iêmen para apoiar o governo de Abd Rabo Mansur Hadi, que luta contra os rebeldes huthis, um grupo de milícias xiitas. 

O conflito iemenita já deixou mais de 8 mil mortos e 45 mil feridos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em um comunicado, o governo do presidente Mansur Hadi anunciou que apoia a decisão da coalizão árabe e a ruptura das relações diplomáticas com o país. O governo iemenita denunciou o Catar por "abusos, vínculos com as milícias de conspiradores e apoio aos grupos extremistas".

Doha enfrentava há muito tempo acusações de ser um Estado que apoia o "terrorismo". Muitos criticam o apoio do Catar a grupos rebeldes que lutam contra o presidente sírio, Bashar Assad, e vários cidadãos do país foram objetos de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA, acusados de financiar atividades "terroristas". / AFP

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