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Países árabes oferecem asilo a Assad, dizem EUA

De acordo com subsecretário de Estado para Oriente Médio, Liga Árabe já trabalha com a hipótese de o líder sírio deixar o poder nos próximos meses

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2011 | 03h06

NOVA YORK - O Departamento de Estado americano revelou que alguns líderes do Oriente Médio estariam dispostos a asilar o ditador sírio, Bashar al-Assad. Em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o subsecretário de Estado para o Oriente Médio, Jeffrey Feltman disse que os dias do regime estão contados e o momento é de pensar em uma transição organizada da autocracia para a democracia.

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"Líderes árabes dizem em conversas que uma mudança na Síria é inevitável. É apenas uma questão de quanto tempo para saber como Assad lutará para se manter no poder e quantos inocentes sírios serão mortos antes de seu regime acabar", declarou o diplomata durante a audiência. "O líder sírio precisa se afastar porque provou ser incapaz de levar adiante reformas."

Nos últimos dias, o governo de Assad tem desrespeitado o acordo assinado com a Liga Árabe para pôr fim à onda de violência no país. Segundo o Estado apurou, o regime intensificou a repressão contra opositores em Damasco, prendeu e torturou dissidentes.

As forças de segurança já mataram cerca de cem civis, entre eles uma menina de nove anos ontem, de acordo com organizações de direitos humanos ligadas à oposição síria. Muitos têm sido obrigados a buscar refúgio no exterior diante da ameaça de endurecimento da violência.

Feltman também pediu uma mudança de posição dos países emergentes, principalmente Rússia e China, que bloquearam recentemente uma resolução contra a Síria no Conselho de Segurança da ONU.

O subsecretário de Estado também aconselhou os opositores a não entrarem no jogo de governo. Para o diplomata, os protestos pacíficos, em vez do confronto armado, são a melhor maneira de desafiar o regime.

Na avaliação da diplomacia americana, as sanções do país e dos europeus têm surtido efeito. De acordo com Feltman, o governo sírio tem sido incapaz de vender seu petróleo depois do embargo da União Europeia.

Segundo o analista Ayhan Kamel, da consultoria de risco político Eurasia, os confrontos armados não significam um iminente colapso do regime, mas a deterioração das condições econômicas representam o desafio mais importante para Assad.

Em resposta às declarações do governo americano, Damasco acusou os EUA de instigarem a violência. O regime de Assad diz que isso sabotaria um suposto diálogo com a oposição. Desde o início dos protestos, em março, mais de 3,5 mil pessoas foram mortas pelo regime durante a repressão, segundo a ONU.

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