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Países avançados colocam o meio ambiente em primeiro lugar

A coalizão de governo anunciada na Alemanha confirma a tendência nos países avançados de colocar a questão ambiental no topo da agenda econômica, comercial e de política externa

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2021 | 05h00

A coalizão de governo anunciada na Alemanha confirma a tendência nos países avançados de colocar a questão ambiental no topo da agenda econômica, comercial e de política externa. A união dos liberal-democratas – representantes do empresariado – e dos verdes torna esse o primeiro governo europeu da era ESG, da governança social e ambiental. Com reflexos diretos sobre o Brasil.

As eleições de 26 de setembro ocorreram sob o impacto das enchentes na Alemanha, as maiores dos últimos 500 anos, que deixaram cerca de 200 mortos. A sensibilidade para a mudança climática, sempre crescente na Alemanha, e na Europa Ocidental em geral, já se tornara mais aguda com as novas revelações da ciência. Causada pelo consumo de um animal silvestre, a pandemia evidenciou os riscos da invasão da natureza pela urbanização.

Entre as eleições de 2017 e de 2021, os verdes elevaram sua votação de 9% para 15%, e de 67 para 118 das 736 cadeiras do Bundestag, equivalente à Câmara dos Deputados. Com isso, tornaram-se a terceira maior bancada no Bundestag e a segunda maior da coalizão, depois dos social-democratas, que a encabeçarão. Em termos porcentuais, foi o partido que mais cresceu. 

Isso, às expensas da União Democrata-Cristã (CDU), de Angela Merkel, que encolheu de 33% para 24%. Há vários motivos, mas um deles é o desempenho pobre de seu governo na área ambiental. Depois do desastre no reator de Fukushima, em 2011, Merkel reduziu a geração nuclear de eletricidade. Isso levou a um aumento do uso do carvão e do gás natural. 

As emissões dos gases do efeito estufa devem aumentar 4% neste ano de recuperação econômica pós-pandemia, estima o grupo de estatísticas industriais alemão Ageb. O acordo de 177 páginas que selou a coalizão determina a elevação de 40% para 80% da geração de eletricidade por fontes renováveis até 2030, e antecipa em 8 anos a eliminação do uso do carvão, antes prevista para 2038.

Os verdes terão 5 dos 14 ministérios. O chamado superministério da Economia, Energia e Clima será chefiado pelo colíder dos verdes Robert Habeck, que acumulará a posição de vice-chanceler. O Ministério das Relações Exteriores ficou para a outra colíder dos Verdes, Annalena Baerbock, que era a candidata a chanceler pelo partido. 

Durante a campanha, Baerbock afirmou que rejeitaria a ratificação do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia se ele não incluísse uma cláusula proibindo a importação de produtos associados ao desmatamento da Amazônia. 

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