Países contrários à guerra tentam conter pressão americana

Os países que fazem parte do grupo contra a guerra, liderados pela França, Alemanha e Rússia, estão desenvolvendo forte contra-ofensiva diplomática para conter as pressões americanas dos últimos dias sobre as nações mais "vulneráveis" do Conselho de Segurança da ONU. Isto é, os que têm maior dependência econômica dos Estados Unidos.Hoje, o ministro do Exterior da França, Dominique de Villepin, aproveitou o fato de o Iraque ter concordado em neutralizar os mísseis Al Samoud 2 para dizer que essa é "a prova de que a posição da França é a boa, não havendo razão para abandonar o caminho pacífico do desarmamento do Iraque, apoiado pela comunidade internacional".O governo francês recebeu mais um apoio de peso da oposição socialista. O ex-primeiro ministro Lionel Jospin saiu novamente de seu mutismo para apoiar Chirac, considerando a ação dele "até agora pertinente", fundamentada numa apreciação realista sobre a capacidade de ameaça do Iraque. Jospin é também favorável à utilização do direito de veto da França à nova resolução americana levada ao Conselho de Segurança.A atividade diplomática russa se intensificou com a viagem do chanceler Igor Ivanov a Pequim. A única iniciativa que permite a alguns observadores desconfiarem de uma ambigüidade na posição russa diz respeito à viagem de Alexandre Volochine a Washington. Ele é o administrador da presidência russa e já desempenhou papel importante na reaproximação entre os dois países.Volochine representa os interesses econômicos russos, especialmente do setor petrolífero privado, constituído durante a presidência de Boris Yeltsin. Para alguns analistas, Moscou está aproveitando o momento para tirar o melhor partido da situação - o máximo de dividendos da disputa entre americanos e europeus. Esse enviado especial de Putin aos EUA se avistou com o presidente George W. Bush no gabinete da conselheira de segurança nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice.Villepin, o chanceler francês, tem multiplicado suas declarações, entrevistas a jornais e televisões européias e americanas, contestando a argumentação de Bush: "Nós continuamos fiéis à lógica do desarmamento do Iraque, mas o discurso americano escorrega progressivamente dessa lógica do desarmamento para a da mudança do regime de Bagdá e, mais amplamente, para a remodelagem do Oriente Médio." Ele lembra que essa lógica não faz parte da resolução 1.441 e deixa muitas dúvidas no ar: "Quem decidirá a mudança do regime? Segundo quais critérios? Isso não introduziria um princípio de incertezas e de instabilidade suplementar no mundo?" A precipitação, insiste o ministro do Exterior francês, lhe parece inoportuna.

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