Países da ONU pedem aceleração na reforma do Conselho de Segurança

Tema voltou a ser debatido após Barack Obama ter anunciado seu apoio à entrada da Índia

Efe,

11 de novembro de 2010 | 20h33

GENEBRA- Os países integrantes da ONU pediram nesta quinta-feira, 11, a aceleração do lento processo de reforma do Conselho de Segurança do organismo, que contempla a ampliação de seus membros permanentes e temporários para refletir a atual realidade geopolítica.

 

O embaixador da França, Gerard Araud, pediu que seja evitada a "repetição estéril" de declarações vazias de ocasiões anteriores para prevenir "que a reforma do Conselho morra de uma morte lenta para satisfação de alguns em detrimento de todos".

 

"Pelo contrário, deveríamos começar as negociações. É um assunto de vontade política", afirmou o representante francês em sua intervenção na Assembleia Geral da ONU, que hoje debateu os esforços para reformar seu máximo órgão.

 

A necessidade de dar um novo impulso às negociações que já duram 15 anos foi destaque da grande maioria dos discursos.

 

Atualmente, o CS é formado por 15 membros, dos quais a França, China, Reino Unido, Estados Unidos e Rússia são membros permanentes e contam com poder de veto em resoluções.

 

Os outros dez são eleitos pela Assembleia Geral para um período de dois anos, e são escolhidos conforme os grupos regionais que formam as Nações Unidas.

 

Brasil

 

A embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti, afirmou que a experiência do país como membro não permanente desde janeiro no Conselho deixou "ainda mais evidente a urgência de aumentar o número de membros".

 

"Também é evidente que precisamos ampliar a participação de países desenvolvidos e em desenvolvimento, inclusive os países africanos" para preservar a legitimidade do órgão, observou.

 

Segundo a diplomata, os contatos feitos nos últimos dois anos pelo embaixador afegão, Zahir Tanin, em qualidade de mediador, demonstram que há uma maioria favorável a aumentar para 25 o número de assentos no Conselho.

 

"Não podemos passar outro ano dando declarações. É preciso adotar decisões nessa sessão", acrescentou Maria Luiza.

 

Japão

 

O Japão, outro dos países que deseja fazer parte permanente do órgão, destacou a necessidade de que o CS reflita as realidades políticas do século XXI, após recordar que em 45 anos o país passou por uma sólida reforma.

 

"A posição do Japão é a de que o Conselho de Segurança deve ser reformado por meio de mudanças que incluam a ampliação de seus membros permanentes e não permanentes" declarou.

 

Novo rumo

 

O debate sobre a reforma do CS tomou um novo rumo nesta semana depois de o presidente Barack Obama ter expressado apoio à incorporação da Índia como membro permanente durante uma visita ao país.

 

No debate da Assembleia Geral, o chefe da delegação indiana, Buhaneswar Kalita, agradeceu o governante americano e pediu que outros países sigam seu exemplo.

 

"Estamos preparados e dispostos a estender a mão a outros países e colaborar estreitamente com o fim de alcançar uma reforma urgente do Conselho que se ajuste às realidades mutantes de nosso tempo", disse Kalita.

 

A ONU já tentou várias vezes desde 1979 realizar negociações para mudar os métodos de trabalho e a composição do máximo órgão, mas os profundos desacordos sobre que países e em que condições deveriam se somar permanentemente ao CS impediram a chegada de um consenso.

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