EFE / Ernesto Arias
EFE / Ernesto Arias

Países da região articulam isolamento do governo Maduro

Em reunião no Peru da qual o Brasil participou, chanceleres reafirmam que não reconhecem Constituinte de Caracas

Lu Aiko Otta / Brasília , O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 21h23

Numa escalada em sua estratégia de pressionar a Venezuela por meio da comunidade internacional, chanceleres e representantes de 12 países decidiram adotar nesta terça-feira, 8, um conjunto de medidas, algumas delas inéditas, para deixar clara sua condenação aos atos do governo de Nicolás Maduro. 

“Essa reunião dá um passo muito importante no rumo do isolamento diplomático de um regime que perdeu a razão e castiga seu povo com o horror da crise econômica, do desabastecimento e da repressão”, disse o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, após a reunião que se estendeu por mais de cinco horas. 

Aloysio foi o primeiro chanceler a falar depois do anfitrião, Ricardo Luna, pelo fato de ser o presidente do Mercosul neste semestre. Na reunião e na entrevista coletiva concedida ao final, ele falou sobre a decisão de sábado de suspender a Venezuela por ruptura do compromisso com os princípios democráticos previstos no Protocolo de Ushuaia. 

Na “Declaração de Lima”, os chanceleres de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru afirmam não reconhecer a Assembleia Constituinte, eleita na semana passada, e reiteram seu apoio à Assembleia Nacional, controlada pela oposição venezuelana. Pela declaração, os atos que dependam da aprovação do Legislativo só serão reconhecidos após aprovados pela Assembleia Nacional. 

No campo das providências práticas, os chanceleres concordaram em não apoiar nenhuma candidatura venezuelana em mecanismos de organizações regionais internacionais e informam que darão prosseguimento à aplicação da Carta Democrática Interamericana, na Organização dos Estados Americanos. Decidiram, ainda, pedir o adiamento da reunião de cúpula entre a União Europeia e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos programada para outubro. Os chanceleres também afirmaram que “a Venezuela não cumpre com os requisitos nem obrigações dos membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU”. 

 

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