Ali Abu Shish/Reuters
Ali Abu Shish/Reuters

Países da região temem que luta sectária se alastre

Com a decisão do premiê de pedir a prisão do vice sunita, cresce a possibilidade de uma nova guerra civil

Análise: Angus McDowall e Parisa Hafesi,

23 de dezembro de 2011 | 00h21

*SÃO REPÓRTERES DA ‘REUTERS’

 

Com a decisão do premiê iraquiano, o xiita Nuri al-Maliki, de pedir a prisão do vice-presidente sunita, além dos ataques antixiitas de ontem em Bagdá, cresce a possibilidade de uma nova guerra civil no Iraque - para o pavor de todos os países vizinhos. O caos que se seguiu à invasão americana de 2003 transformou o país num manicômio, onde Arábia Saudita, Irã, Síria e Turquia apoiavam diferentes lados numa luta desordenada que opôs xiitas a sunitas e árabes a curdos.

 

Mas agora o governo de Bagdá, liderado por xiitas, também se preocupa com o equilíbrio sectário na região: os iraquianos temem que a crise na Síria desestabilize seu próprio equilíbrio social. Maliki e seus assessores acreditam que um colapso do regime sírio, dominado por alauítas e aliado ao Irã, possa dar origem a um governo sunita radical bem na sua porta, com o risco de a violência transbordar para o Iraque e encorajar os militantes sunitas iraquianos.

 

O Irã também passou a ter mais a perder com esses novos confrontos sectários do que os outros peso-pesados da região, principalmente porque a Síria possibilitou a Teerã ampliar sua influência até o Mediterrâneo. Os clérigos iranianos foram considerados os maiores vitoriosos depois da queda de Saddam Hussein e a emergência de Maliki.

 

Mas, como as sanções internacionais já começaram a afetar a economia iraniana, inflacionando os preços de produtos importados nos bazares de Teerã, as tensões crescentes com a Arábia Saudita aprofundaram seu isolamento político.

 

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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