Países da região temem que luta sectária se alastre

Análise: Angus McDowall e Parisa Hafesi

SÃO REPÓRTERES DA REUTERS , O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h05

Com a decisão do premiê iraquiano, o xiita Nuri al-Maliki, de pedir a prisão do vice-presidente sunita, além dos ataques antixiitas de ontem em Bagdá, cresce a possibilidade de uma nova guerra civil no Iraque - para o pavor de todos os países vizinhos. O caos que se seguiu à invasão americana de 2003 transformou o país num manicômio, onde Arábia Saudita, Irã, Síria e Turquia apoiavam diferentes lados numa luta desordenada que opôs xiitas a sunitas e árabes a curdos.

Mas agora o governo de Bagdá, liderado por xiitas, também se preocupa com o equilíbrio sectário na região: os iraquianos temem que a crise na Síria desestabilize seu próprio equilíbrio social. Maliki e seus assessores acreditam que um colapso do regime sírio, dominado por alauitas e aliado ao Irã, possa dar origem a um governo sunita radical bem na sua porta, com o risco de a violência transbordar para o Iraque e encorajar os militantes sunitas iraquianos.

O Irã também passou a ter mais a perder com esses novos confrontos sectários do que os outros peso-pesados da região, principalmente porque a Síria possibilitou a Teerã ampliar sua influência até o Mediterrâneo. Os clérigos iranianos foram considerados os maiores vitoriosos depois da queda de Saddam Hussein e a emergência de Maliki.

Mas, como as sanções internacionais já começaram a afetar a economia iraniana, inflacionando os preços de produtos importados nos bazares de Teerã, as tensões crescentes com a Arábia Saudita aprofundaram seu isolamento político. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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