Países desconfiam de política coreana, diz China

Uma profunda desconfiança ameaça o progresso fechado para pôr fim ao programa nuclear norte-coreano, disse nesta sexta-feira, 9, o representante chinês no processo. O vice-chanceler Wu Dawei disse que há esperanças de implementar dentro de 60 dias o acordo de 13 de fevereiro que prevê ajuda econômica e promessas de segurança à Coréia do Norte em troca da desativação das suas instalações nucleares dentro de 60 dias.Mas Wu alertou que os passos nessa direção não serão simples, pois China, Estados Unidos, Japão, Rússia e as duas Coréias têm discordâncias a respeito de procedimentos. "Os países envolvidos sofrem de uma séria falta de confiança entre eles. Esse é o maior problema que as negociações a seis partes enfrentam", disse Wu à agência Xinhua. Wu contou que na sexta-feira havia se encontrado com o representante norte-coreano no processo, Kim Kye-gwan, que acaba de voltar de Nova York, onde manteve encontros bilaterais com o norte-americano Christopher Hill para discutir a normalização das relações entre os dois países, inimigos desde a Guerra da Coréia (1950-53). Como parte do acordo de fevereiro, Washington prometeu também suspender algumas restrições financeiras atualmente em vigor contra Pyongyang. Nesta semana, Japão e Coréia do Norte também mantiveram discussões bilaterais visando à reaproximação. O tema mais espinhoso desse processo é o de cidadãos japoneses seqüestrados pelo regime comunista norte-coreano décadas atrás. Wu admitiu que não é fácil superar tal inimizade, mas ainda assim se disse "cheio de confiança em encontrar a esperança no meio da dificuldade". O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, passa na próxima semana por Pequim a caminho da Coréia do Norte, onde discutirá formas de a agência monitorar o acordo de desarmamento nuclear. Grupos de trabalho que vão definir detalhes do acordo de fevereiro também devem ser reunir na próxima semana, preparando terreno para a próxima rodada das discussões multilaterais, no dia 19. Embora se dizendo otimista com essa movimentação, Wu também foi cauteloso: "As ações iniciais são só um começo na implementação da declaração conjunta do diálogo a seis partes. Ainda há um longo caminho pela frente."

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