Países do Golfo tiram emissários da Síria

Depois da Arábia Saudita, embaixadores do Bahrein e Kuwait deixam Damasco; chanceler turco reúne-se hoje com Assad

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Depois da Arábia Saudita, dois outros países do Golfo Pérsico retiraram ontem seus embaixadores de Damasco em protesto contra a violência das forças sírias na repressão a opositores. A pressão sobre Bashar Assad deve crescer ainda mais hoje com a visita do chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu, à Síria.

Kuwait e Bahrein disseram ter chamado seus representantes na capital síria para consultas sobre os acontecimentos no país. A decisão da monarquia bareinita foi considerada irônica no mundo árabe, já que as forças locais, com o apoio da Arábia Saudita, têm liderado uma violenta repressão contra a oposição em Manama, com a morte de dezenas e a prisão de centenas de manifestantes.

A decisão dos países árabes foi elogiada pelos EUA. O porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, porém, descartou a possibilidade de uma retirada do embaixador americano em Damasco, conforme vêm exigindo alguns membros do Congresso. "Avaliamos que a presença dele como observador é importante", disse Toner.

A Liga Árabe e o Conselho de Cooperação do Golfo - grupo que reúne países da Península Arábica - já haviam advertido Assad, no domingo, sobre um possível rompimento de laços por causa da violência.

Peso moral. Além dos países do Golfo, a principal universidade islâmica do mundo também condenou o regime sírio. Ahmed al-Tayeb reitor da Universidade Al-Azhar, do Cairo, disse que a violência na Síria "é uma tragédia para o mundo árabe e muçulmano".

Mais complicada para Damasco é a posição da Turquia. O ministro das Relações Exteriores turco levará a Assad uma mensagem do premiê Recep Tayyip Erdogan pedindo que a violência seja "interrompida imediatamente" e qualificando a posição do regime de "insustentável". O governo turco era, até o início da eclosão dos protestos, um dos maiores aliados e investidores na Síria.

Caso ocorra um rompimento entre os dois países, Assad deverá ficar ainda mais isolado. Mesmo assim, seus assessores criticavam duramente a decisão da Turquia de condenar o regime sírio sem levar em conta a agressão do que chamam de "terroristas armados" contra o governo.

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